Este texto só pode ser escrito, lido e entendido porque um personagem tornou isto possível: aquele (ou aquela) que nos ensinou a ler e a escrever. O professor, esse profissional de importância vital para qualquer pessoa e que é celebrado, hoje, no seu dia, mas que, como se repete sempre, pouco é respeitado ao longo de seu trabalho e de sua vida.
No Brasil, professor é profissão pouco ou nada respeitada. O professor primário, aquele que recebe as crianças totalmente ignorantes e que lhes abre, literalmente, os olhos para a vida, mostrando que aqueles sinais estranhos são letras, fazendo-as entender e mergulhar num mundo diferente.
Não há ninguém em posição de destaque, no Brasil como no mundo, que não deva boa parte do sucesso conquistado aos professores que o levaram ao longo do caminho escolar. Há o professor primário, tão pouco reconhecido, sacrificado, quase sempre vivendo em condições precárias; vem depois os mestres dos cursos mais adiantados até chegar ao nível superior. Existe, sempre, em cada escala da vida, um professor a orientar, a ensinar, a abrir caminhos, a estimular vocações. E o que recebem é uma fruta no dia 15 de outubro e o sacrifício e a falta de condições mínimas para executar sua missão.
Dizem que ser professor é exercer um sacerdócio, uma verdadeira missão. Entretanto, é justo que a sociedade reconheça o mérito de modo concreto, dando aos professores condições para que executem seu trabalho e a possibilidade de um adequado descanso na aposentadoria. Nada disso acontece, principalmente no Brasil, país em que o professor ganha mal, é sacrificado e quando encerra sua carreira sofre as dificuldades de uma aposentadoria de miséria. Nem o reconhecimento real de sua atividade acontece.
O principal personagem na vida de cada um de nós, dos mais famosos ou bem colocados na escala social ou dos que apenas enfrentam a vida no dia-a-dia, tem hoje seu dia. Muitas homenagens, pouco reconhecimento. Amanhã, recomeça a faina e a dificuldade que é comum para cada um, qualquer que seja o nível. O professor de primeiro grau continuará a ganhar mal, a ter de trabalhar demais, sem tempo sequer para repor as energias ou para se aprimorar na função. Os de nível médio ou superior, igualmente, enfrentando todas as dificuldades.
Ainda assim, neste dia, a memória traz à mente aqueles personagens e quase como uma obrigação nos faz listá-los, alguns professores que passaram pela vida da gente e que a forjaram, mestres como dona Lúcia de Barros Lisboa e suas irmãs, Lauro Gomes da Veiga Pessoa, dona Elza, professor Moacir, professores Carlos Zewe Coimbra e sua esposa, dona Iguassuina, professor Reinaldo Ramon, mestres e amigos que se foram mas que continuam na vida e na ação dos milhares de londrinenses que ajudaram a formar.

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