Em fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou repasse de R$ 25,9 milhões para os 26 Estados e o Distrito Federal, a serem gastos em vigilância epidemiológica contra quatro tipos de doenças: hanseníase, esquistossomose, tracoma e geohelmintoses. Essas enfermidades integram o grupo das chamadas doenças negligenciadas, ou doenças em processo de eliminação, causadas por agentes infecciosos ou parasitas, e endêmicas em regiões de baixa renda.
O Paraná, que historicamente se queixa de não receber do Governo Federal investimentos à altura da sua importância, ficou entre os últimos na divisão do repasse. Segundo os números divulgados pelo Ministério da Saúde, o Estado receberá somente R$ 100 mil do bolo, mesma quantia destinada ao Distrito Federal. Apenas o Amapá (R$ 30 mil) receberá menos recursos do que essas duas unidades federativas.
De acordo com as estatísticas mais recentes do ministério, o Paraná é o líder na Região Sul em casos de hanseníase, esquistossomose e tracoma. Ainda assim, receberá bem menos do que os vizinhos Rio Grande do Sul (R$ 172 mil previstos) e Santa Catarina (R$ 233 mil).
Nas estatísticas de hanseníase e esquistossomose, duas doenças que integram a lista das 44 de notificação obrigatória do Ministério da Saúde, o Paraná ''lidera'' com folga as ocorrências no Sul do Brasil. No ano passado, foram registrados 947 novos casos de hanseníase no Estado, mais do que a soma do verificado em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respectivamente 214 e 122 ocorrências.
Em 2011, segundo o Ministério da Saúde, foram confirmados 38 casos de esquistossomose no Paraná, apenas quatro em Santa Catarina e dois no Rio Grande do Sul. Somente no município de Andirá (Norte Pioneiro) foram sete ocorrências, mais do que a soma de todos os registros nos dois Estados vizinhos no ano passado.
Os números de casos de tracoma, cuja ocorrência não tem que ser notificada compulsoriamente, são mais antigos e dizem respeito a uma investigação feita em escolas na primeira metade da década passada. Ainda assim, o Paraná registrou incidência superior à computada em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De acordo com o ministério, nas escolas paranaenses 6,4% dos estudantes pesquisados tinham a doença, contra índices de 6,1% nas catarinenses e 4,6% nas gaúchas.
Apenas as geohelmintoses, que também não têm notificação obrigatória, não possuem dados recentes mais apurados e divididos por unidade federativa. O Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz iniciaram em 2011 uma investigação nacional da prevalência das geohelmintoses e da esquistossomose mansoni no País. A pesquisa, na qual serão examinadas mais de 22 mil crianças entre sete e 14 anos de idade em todas as unidades federativas, deve ser concluída em 2013.

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