Um novo descarrilamento de trem na Região dos Campos Gerais deixa a situação da América Latina Logística (ALL) ainda mais delicada no Paraná. Uma semana depois de ser convocada a prestar esclarecimentos no Congresso Nacional, a empresa precisa explicar o acidente ocorrido no final da tarde de domingo, em Fernades Pinheiro, área central do estado. Nos últimos 90 dias, o trecho férreo que passa por esse município, localizado entre Ponta Grossa e Irati, foi palco de três descarrilamentos.
O acidente de domingo, ao contrário dos outros dois ocorridos na região, a princípio não teve prejuízo ao meio ambiente. Dos 49 vagões da composição, seis saíram dos trilhos. O trem, com três locomotivas, transportava trigo e fertilizante. A carga de apenas um vagão, carregado de trigo, vazou. De acordo com a assessoria da ALL, o trecho ficou interditado por mais de 15 horas. Os trilhos foram liberados por volta do meio-dia de ontem. Nesse horário os vagões descarrilados também já haviam sido retirados e a carga que derramou foi recuperada.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), escritório regional de Irati, confirmou que o acidente não causou nenhum dano ao meio ambiente. No entanto, Adalberto Carlos Urbantz, chefe do órgão no município, explicou que a linha férrea da região tornou-se uma ameaça constante. Disse, que os trens que passam por lá causam medo em todo mundo, deixando o IAP sempre de prontidão. Na avaliação de Adalberto, a frequência dos descarrilamentos é um indicativo de que alguma coisa está errada.
O deputado federal Luciano Pizzatto (PFL), da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, disse ontem que esse novo caso complica mais ainda a situação da empresa. Ele entende que alguns acidentes podem ser inevitáveis, mas não podem ser sistemáticos, como vem ocorrendo. Garantindo que a audiência com a ALL na Câmara dos Deputados é uma prioridade, o deputado disse que a empresa deverá ser ouvida pelos parlamentares entre os dias 10 e 15 de novembro.
Silvana Alcântara de Oliveira, gerente de assuntos corporativos da ALL, disse que o acidente de domingo trata-se de um ‘‘descarrilamento simples’’, sem dano ambiental. Sobre os outros dois ocorridos na região, ela afirmou que as causas foram a oscilação de temperatura, que trincou os trilhos. Isso, segundo ela, é algo repentino e quase imperceptível.
O laudo sobre o último descarrilamento deve sair dentro de 30 dias. Segundo Silvana, o número de acidentes com os trens da ALL está dentro da margem definida pelo Ministério dos Transportes. Este ano a empresa teve 49 acidentes por trem-quilômetro em sua malha de operação, que compreende o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A tolerância do Ministério para este ano é de 56 ocorrências por trem-quilômetros.

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