Israel Reinstein
De Curitiba
Uma pesquisa do Ministério da Integração Nacional sobre desenvolvimento social e econômico põe quatro regiões do Paraná no mesmo nível de pobreza que cidades do sertão nordestino. Baseado nos indicativos de educação, transporte, desenvolvimento econômico e meio ambiente, o levantamento apontou cinquenta e quatro municípios das regiões do Vale da Ribeira, Paranaguá, Oeste e Sudoeste do Paraná como áreas em que o desenvolvimento vem sendo negativo há cinco anos.
‘‘O levantamento foi feito em todo o País, dividindo o Brasil em mesorregiões consideradas frágeis’’, informa o secretário de Programas Integrados do ministério, Antunes Cerqueira. Pela pesquisa, a cidade de Paranaguá apresenta problemas semelhantes aos existentes no Alto Solimões, no Amazonas, onde há falhas no saneamento básico, educação e desenvolvimento econômico.
Cerqueira prefere estabelecer um ranking a ceder números que indiquem os níveis das populações. ‘‘Foram coletados junto aos outros ministérios, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o levantamento da qualidade de vida feito pela ONU’’, diz.
Cerqueira afirma que esses municípios seguem uma perfil comum. ‘‘A taxa de analfabetismo supera em quatro vezes o patamar nacional’’, diz. Também a estrutura econômica das cidades está baseada em um setor da economia, em geral com o segmento extrativista.
Na região de Paranaguá, o secretário considera que dois pontos prejudicam o desenvolvimento: a especulação imobiliária e falta de alternativa econômica para o morador da região. ‘‘O quadro é estagnante, mas pode ser mudado’’, afirma Cerqueira. Ele cita como exemplo de mudança um programa chamado Siri na Lata, desenvolvido em Recife, Pernambuco. Com baixo investimento, prefeitura e comunidade possibilitaram aos pescadores processarem o animal, conseguindo vender em supermercados de todo o País.
Para o secretário, um trabalho semelhante pode ser desenvolvido no Sudoeste do Paraná, onde o principal produto é o frango. ‘‘Essa região começou a se retrair, por causa da instabilidade da economia’’, afirma. ‘‘Quanto ao Oeste do Estado, o desenvolvimento precisa ser feito na educação e meio ambiente’’, afirma. Cerqueira entende que a melhoria da qualidade de vida só poderá ser atingida quando a comunidade pressionar os governos a investirem em conjunto.

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