Ney de SouzaSituação endêmicaNúmeros e formas de combate à doença estão sendo debatidos em dois congressos em Foz do Iguaçu O Paraná é o Estado da região Sul do Brasil com os piores índices de hanseníase, doença popularmente conhecida como lepra e que, se não for tratada, pode provocar mutilações e deformidades no corpo. Em 1986, o Estado possuía 5.830 casos da doença, o que representa 6,65 casos para cada grupo de 10 mil habitantes.
Santa Catarina registrou 639 casos (1,30 por 10 mil) em 96 e o Rio Grande do Sul - Estado brasileiro em que a doença está mais controlada-, apenas 644 casos (0,67 casos por 10 mil pessoas).
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o Brasil é o segundo país do mundo com maior número de doentes. Em 1996, o Brasil possuía 105.024 casos de hanseníase - 6,77 registros em cada grupo de 10 mil habitantes. A Índia, campeã mundial da doença, contabilizava, no mesmo ano, cerca de 500 mil casos.
‘‘Mas a taxa de incidência por grupo de 10 mil habitantes é maior no Brasil do que na Índia, porque aquele país tem uma população muito maior’’, compara o médico Clovis Lombardi, assessor de hanseníase da Organização Panamericana de Saúde. O Brasil tem 160 milhões de habitantes, segundo projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A população da Índia é quase seis vezes maior: 897 milhões de pessoas.
Os números e formas de combate à doença no Brasil estão sendo debatidos durante o 9º Congresso da Associação Brasileira de Hansenologia e o 4º Congresso do Colégio de Hansenologia dos Países Endêmicos, que estão sendo realizados em Foz do Iguaçu. Os encontros, que serão encerrado amanhã, reúnem especialistas sobre a doença de dez países.
‘‘A hanseníase já foi eliminada nos países ricos da Europa e América do Norte, devido à melhoria nas condições econômicas e sanitárias’’, afirma o presidente do congresso, o dermatologista paulista Diltor Opromolla.
‘‘Hoje a hanseníase ficou confinada em bolsões nos países em desenvolvimento, onde as condições econômicas e de saúde favorecem o desenvolvimento de uma doença infecciosa como essa.’’
No ano passado, o Brasil registrou 39.860 casos de hanseníase. Em números absolutos, o Estado com maior incidência da doença é Minas Gerais (11.459 casos). Em termos percentuais, o Amazonas lidera o ranking: 31,42 registros por grupo de 10 mil habitantes. Os estados onde a doença é mais grave são os das regiões Norte e Centro-Oeste.
Segundo Lombardi, no contexto brasileiro o Paraná apresenta uma sitaução ‘‘intermediária’’. Mas, comparado-se com os demais estados da região Sul, a situação paranaense torna-se ‘‘desfavorável’’.
O Brasil e outros países onde a hanseníase é endêmica (se manifesta de maneira constante), se comprometeram com a OMS a reduzir os índices da doença até o ano 2000. A meta é atingir um caso para cada grupo de 10 mil habitantes. O Rio Grande do Sul já chegou a esse patamar. Em 1996, registrou 0,67 caso de hanseníase para cada grupo de 10 mil pessoas.

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