PR tem índices alarmantes de mães mortas durante o parto
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Elisa Marilia, 
De Curitiba
Kraw PenasRaggio: Programa reduziu índice de mortalidade materna em 14%Cesarianas desnecessárias, falhas no atendimento médico e falta de equipamentos são alguns dos problemas mais graves que contribuem para o índice de mortalidade materna no Paraná. Atualmente morrem 87 mulheres para cada 100 mil partos em que os bebês nascem vivos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera aceitável 10 mortes para cada 100 mil nascidos vivos.
Em comemoração ao Dia Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna (hoje), a Secretaria Estadual da Saúde quer incentivar a realização de partos normais e reduzir a mortalidade materna. O programa Protegendo a Vida, iniciado no ano passado, apresentou como resultado a queda do índice de mortalidade materna em 14%. Em países com condições sócio-econômicas semelhantes à brasileira, como a Costa Rica, Cuba e Chile, o índice de mortalidade materna é de 30 para cada 100 mil nascimentos.
De acordo com Vânia Muniz Néquer Soares, responsável pelo setor de Saúde da Mulher da secretaria, 90% das mulheres grávidas fazem os exames de pré-natal e procuram uma maternidade na hora do parto. Com isso concluímos que as falhas mais graves estão mesmo no atendimento, afirma Vânia.
Outro índice alarmante é o número de cesáreas feitas no Paraná: 47% do total de partos. A média brasileira é de 33%, considerada uma das mais altas do mundo. A OMS estabelece como aceitável o índice de 15%.
Uma cesária só é recomendada quando as condições colocam em risco a vida do bebê ou da mãe, como em casos de ausência de dilatação uterina, sangramento e hipertensão arterial. O custo é também um fator a ser considerado, diz Vânia.
O Brasil tem a quinta maior taxa de mortalidade materna da América Latina, com 141 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Os dados da Pastoral da Criança mostram que a primeira causa de morte materna é a hipertensão; a segunda são as hemorragias; a terceira, infecções. Nos estudos da pastoral, a conclusão é de que 98% das mortes maternas poderiam ser evitadas com a tecnologia existente no Brasil. As complicações decorrentes de abortos são a quarta causa de morte materna no Paraná, que registra 8.000 casos de complicações por aborto a cada ano.
No que se refere à cesareana, o número de cirurgias é maior quanto maior é a escolaridade da mãe. Quatro em cada cinco esterilizações são realizadas durante a cesareana. Essas cirurugias dobram em dias que antecedem feriados, o que revela uma tendência da classe médica em apressar a hora do parto. No Paraná, a Pastoral da Criança trabalha em 272 municípios para estimular o acompanhamento pré-natal e evitar a mortalidade materna.


