PR tem 82 mil crianças fora da escola
Cristine Pieske
Arquivo FolhaO porquêZélia Marochi: Muitas crianças ainda precisam ajudar nas tarefas de casa e não recebem qualquer tipo de incentivo por parte dos paisO Paraná possui atualmente 82 mil crianças com idades entre 7 a 14 anos fora da escola, a maioria delas vivendo no Interior do Estado e na Região Metropolitana de Curitiba. Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação, foram calculados com base no número de matrículas realizadas em 1996 e no número de habitantes na faixa etária de 7 a 14 anos segundo o IBGE.
Pela pesquisa, 8,2% das crianças que moram no Paraná não têm acesso ao ensino fundamental, índice superior ao de outros Estados como o Distrito Federal (4,15), São Paulo (5,9%), Rio Grande do Sul (6,1%) e Santa Catarina (7,1%). A média nacional, de acordo com o levantamento, é 12,3%. Em Curitiba, o índice de crianças fora da escola é um dos menores do País: 4,7%.
Das cinco cidades com maior índice de crianças fora da escola no Paraná, três estão localizadas na Região Metropolitana de Curitiba. São elas Cerro Azul (30,1%), Doutor Ulysses (28,7%), Tunas do Paraná (26,1%), todas na região do Vale do Ribeira. Segundo a chefe do Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Estadual da Educação, Zélia Maria Marochi, a baixa renda da maioria das famílias da região e atividade essencialmente agrícola dificultam o acesso ao ensino. Muitas crianças ainda precisam ajudar nas tarefas de casa e não recebem qualquer tipo de incentivo por parte dos pais, afirma.
A situação é bastante diferente em outras localidades do Estado, que também apresentam vocação agrícola. Municípios como Quatro Pontes, Toledo, Assis Chateaubriand e Bom Sucesso do Sul possuem índices próximos ou menores a 4% do total da população jovem. Nestes casos, segundo a chefe da Secretaria da Educação, o mérito está na ação conjunta das prefeituras e da população no combate ao analfabetismo. Há vários programas regionais que tentam levar as crianças até o banco escolar, instruindo a família sobre a importância da escolarização, diz.
O secretário municipal da Educação de Curitiba, Paulo Afonso Schmidt, acredita que os fatores social e econômico sejam a principal razão do esvaziamento das escolas. Segundo o secretário, são comuns os casos em que a criança abandona os estudos depois de completar a 4ª série do 1º grau. Muitos já estão com idade avançada quando chegam nesta fase, e deixam a escola para poder trabalhar, afirma.
Nos municípios em que a consciência social ainda é menor do que a necessidade de incluir as crianças no mercado informal de trabalho, a Secretaria Estadual da Educação pretende cadastrar o número de adolescentes que não frequentam a escola. Os números deverão orientar novas ações educacionais na região.





