PR tem 22% de mães adolescentes
De Curitiba
De um lado a falta de informação. De outro a precocidade na entrada da vida sexual. Estes dois fatores fazem com que 22% das gestantes do Paraná tenham menos de 19 anos de idade. Pior, quase 1% dos 185 mil partos registrados nos hospitais públicos do Estado no ano passado foram feitos por mães com idade entre 10 e 14 anos.
Os jovens estão se iniciando nas práticas sexuais com cada vez menos idade e isso, além da gravidez indesejada, pode acarretar doenças e, consequentemente, nos casos mais graves, a morte. Nas gestantes com menos de 15 anos, o risco de óbito é duas vezes maior do que na faixa acima dessa idade.
O Brasil tem a triste marca de 98 mortes maternas para cada 100 mil partos bem sucedidos. No Paraná, esta média cai para 81 mortes a cada 100 mil. Em Curitiba, o índice fica em 38 mortes maternas para 100 mil partos.
O governo do Paraná tem o programa Protegendo a Vida, ligado à Secretaria da Saúde e ao Comitê Estadual de Mortalidade Materna. Este programa prepara médicos e enfermeiros para o atendimento às gestantes com riscos. A partir de agora e nos próximos três anos, também vai oferecer cursos para pais e mães. A intenção é formar multiplicadores de conhecimento para que trabalhem junto às comunidades carentes.
Parto Natural Em Curitiba, existe o programa Mãe Curitibana, destinado a combater as mortalidades materna e infantil. Além disso, um dos maiores objetivos do programa é o estímulo ao parto natural. No Brasil, o índice de partos cesáreos chega a 42% do total. No ano passado, em Curitiba, o número de cesareanas ficou em 35% do total de partos. Nos seis primeiros meses deste ano o total de cesarianas na Capital representou 29,3% do total de partos. A cesárea deve acontecer apenas quando há indicação médica.
O parto natural deve ser preferido em relação à cesariana por ser benéfico tanto para a mãe quanto para o bebê. Dentro da barriga, o bebê fica no líquido amniótico. Quando ele passa pelo canal do parto, acontece uma compressão natural que retira este líquido evitando que a criança faça alteração respiratória. A passagem prepara melhor o bebê para iniciar o processo de respiração, explica a pediatra e diretora do Hospital do Bairro Novo em Curitiba, Edmara Seegmueller.
Ela esclarece também que o estímulo da passagem do bebê pelo canal do parto faz com que o hipotálamo da mãe reaja e induza a produção de leite. O bebê vai então mamar o colostro (primeiro líquido produzido pelas glândulas mamárias) e em seguida o leite materno em menor tempo e com mais facilidade.
A opção pelo parto normal foi tomada por Patrícia Lopes, de 19 anos, ao ter seu primeiro filho, Juanita, na semana passada, em Curitiba. Ela pode ter o primeiro contato com a filha logo depois do parto. Quando ocorre cesariana, a mãe está anestesiada e perde a oportunidade de ter o primeiro contato com o filho assim que ele nasce, explica o obstetra Narciso Rizzo Júnior.





