PR só aproveita 35% dos órgãos disponíveis
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domingo, 19 de janeiro de 1997
Da Sucursal 
Kraw PenasESPERANÇANorma Rivero, primeira na lista de espera para transplante de fígado no HC: Estou muito ansiosa para que as coisas deêm certo e possa ficar boaAs equipes de transplante de órgãos do Paraná deixaram de fazer cerca de 270 transplantes de rim, fígado e coração no ano passado em Curitiba e região, Pato Branco, Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Foz do Iguaçu. Um dos motivos foi a falta de condições das UTIs dos hospitais para manutenção dos doadores, que são pacientes com morte cerebral. Em 1996, dos 417 órgãos que poderiam ser utilizados para transplante, 146 foram aproveitados (35% do total), segundo a Central de Transplantes de Órgãos do Paraná.
O problema é que as UTIs não têm equipamentos suficientes para atender os doentes graves e ao mesmo tempo manter os doadores, explica a coordenadora da central, Cristina Van Glehn. Segundo ela, em países como Estados Unidos e Espanha o grau de aproveitamento dos potenciais doadores ultrapassa 80%.
Os potenciais doadores de fígado, rim e coração são pacientes que tiveram morte cerebral (comprometimento irreversível do cérebro, porém com os órgãos vitais continuando a funcionar com ajuda de medicamentos e aparelhos). São necessários equipamentos sofisticados para manter os órgãos em funcionamento até que a equipe de transplante chegue ao hospital.
Albari RosaJúlio Coelho: Um dos problemas é que as UTIs não notificam a central de transplante sobre os pacientes com morte cerebral
Além da falta de equipamentos, as UTIs não têm leitos suficientes para esse tipo de atendimento. Se houver apenas um leito de UTI disponível, o hospital retira o paciente com morte encefálica (cerebral), selecionado para transplantes,áá para colocar outro doente, explica Cristina .
O chefe da equipe de transplante de fígado do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba, Júlio Coelho, aponta outros fatores que dificultam a doação de órgãos. Segundo ele, muitos médicos e enfermeiros não têm capacitação profissional e consciência da importância do transplante, já que é uma prática desenvolvida no País há cerca de 15 anos.
Como é uma prática relativamente recente, muitos médicos não tiveram na faculdade ao menos noções de transplante de órgãos, explica. Para Coelho, tanto a população quanto os médicos e profissionais da saúde têm de se conscientizar do benefício da doação e transplante de órgãos.
Em países como
EUA e Espanha
aproveitamento
ultrapassa 80%Coelho diz que o número de transplantes no Brasil ainda está longe dos de países como Estados Unidos e Espanha. Os órgãos de uma pessoa com morte cerebral pode salvar vidas de várias outras pessoas, destaca. Em outros casos, diz ele, a família não autoriza a doação dos órgãos. Outro problema é que as UTIs não notificam a central de transplante sobre os pacientes com morte cerebral, afirma.
Apesar das dificuldades, a Central de Transplantes do Paraná organizou em seu primeiro ano de funcionamento 318 transplantes: 142 córneas, 97 rins, 16 corações, 30 válvulas cardíacas e 33 fígados. O Paraná atingiu o índice de 36,2 transplantes por milhão de habitantes, afirma Cristina Van Glehn.
No Estado, as mortes encefálicas representam 5% do total de óbitos.


