PR se prepara para enfrentar enchentes
PR se prepara para enfrentar
enchentes
Defesa Civil já começou a alertar prefeituras para a possibilidade de
inundações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico
Dary Júnior
Curitiba
A Defesa Civil do Paraná alerta
para o risco de enchentes e inundações a partir de novembro. Motivo: as
chuvas previstas pela chegada do fenômeno meteorológico El Niño ao sul do
País. Todas as prefeituras do Estado já começaram a ser orientadas quanto
aos cuidados para evitar situações de calamidade. A principal medida
preventiva é a desocupação das áreas de risco - encostas de morros e margens
dos rios.
Não podemos
esperar pelo desastre para agir, diz o coronel Luiz Antonio
Borges Vieira, coordenador estadual da Defesa Civil. Ele chama atenção para
o perigo do lixo jogado nas ruas: Isso nos preocupa e deve ser
evitado porque entope os bueiros e as demais tubulações que escoam a água
de chuva.
As áreas críticas estão sendo
monitoradas pela Defesa Civil, através de informações do Sistema
Meteorológico do Paraná (Simepar) e do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe). O capitão Loemir Mattos de Souza, chefe do núcleo de
informática, diz que as prefeituras já estão montando as comissões de
atividades, responsáveis por abrigo, depósito, transporte e donativos, por
exemplo.
Na Região Metropolitana de
Curitiba, a principal obra de controle de enchentes é o canal extravasor do Rio
Iguaçu, concluído em 1995. Ele tem um papel fundamental para
evitar alagamentos e vai passar pelo seu grande teste se realmente chover
muito, comenta o capitão Mattos. Os demais rios que cortam a
capital também passam por cuidados, como dragagem, e ganham muros de
contenção das cheias.
Medo - A dona de casa Aparecida Lima, moradora
do bairro São Judas Tadeu, em Curitiba, fica nervosa com a possibilidade de
enchente. É uma reação típica de quem já viu praticamente todo seu
patrimônio ser levado pela enxurrada. A última vez que isso aconteceu com ela
foi em janeiro de 1995, na última cheia do rio Iguaçu. A água atingiu mais de
um metro de altura na residência.
Desabrigada, a família de oito
pessoas teve de montar acampamento às margens da BR-277.
Passamos dez dias ali, até a gente poder voltar para
casa, conta Aparecida. Só a geladeira foi salva. Móveis, roupas
e eletrodomésticos foram perdidos. Não aceito passar por tudo
aquilo de novo, desabafa ela, que vai rezar bastante para a
chuva passar longe do bairro. A esperança de que os rios mantenham o nível
normal é o sentimento mais comum nas populações ribeirinhas.





