PR se mobiliza para reconstruir cidade
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domingo, 15 de junho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
A reconstrução da cidade de Nova Laranjeiras (350 quilômetros a oeste de Curitiba), praticamente destruída por um furacão no final da tarde de sexta-feira, mobiliza as comunidades de toda a região Centro-Oeste do Paraná. Também estão mobilizadas Defesa Civil e secretarias e órgãos do governo do Estado. Quatro pessoas morreram e outras três permaneciam internadas ontem em estado grave.
O prefeito José Lineu Gomes (PMDB), que também teve a casa destruída, estima que serão necessários pelo menos dois meses para plena recomposição dos serviços públicos. Mas, inúmeras famílias que tiveram moradias destruídas dificilmente restabelecerão as condições que tinham antes do furacão, porque perderam tudo, de casas a móveis e roupas.
Em praticamente todas as cidades da região estão sendo realizadas campanhas de donativos. A Polícia Rodoviária Federal deflagrou a campanha Vamos Reconstruir Nova Laranjeiras, com recebimento em seus postos na BR-277, e em Cascavel, sede de sua Delegacia Regional, no Calçadão da Catedral Arquidiocesana, onde o Exército montou barracas - até a tarde, vários caminhões haviam sido carregados.
São recebidos cobertores, agasalhos, alimentos, medicamentos, material de construção e até mesmo ferramentas. Os donativos também podem ser comunicados pelos telefones (045) 224-7094 e 225-6345, para serem retirados em domicílio. A Telepar informou ontem que era grande o número de ligações. A Defesa Civil mandou inicialmente dois mil pacotes de sopão, telhas, lonas plásticas e medicamentos.
O governador Jaime Lerner (PDT), que estava no Sudoeste do Paraná na sexta-feira e sábado, determinou mobilização de todas as secretarias e órgãos do governo, enviando à localidade pessoal capaz de ajudar a população. Prefeitos da região, principalmente os de Laranjeiras do Sul, Virmond e Guaraniaçu, também priorizam ações no socorro ao município vizinho.
O deputado Nereu Moura (PMDB), que visitou a cidade, disse que também a Assembléia Legislativa organizaria uma comissão para ajudar a reconstruir Nova Laranjeiras. Nereu Moura pediu que todo o Paraná se una para ajudar a população. O deputado observou que, no País, não se tem conhecimento de que tenha ocorrido situação semelhante, em termos de vendaval.
Embora não tenha sido medida a velocidade dos ventos, porque não há equipamento para isso na cidade (que não tem aeroporto), o fenômeno ocorrido é caracterizado como furacão, que se estabelece quando os ventos passam de 118 quilômetros horários. Em outras cidades, onde há medição, quando ocorreram apenas vendavais a destruição foi bem menor.
O fenômeno durou cerca de 3 minutos, segundo os moradores. A faixa mais atingida foi a mais baixa da cidade. Uma das edificações menos afetadas foi a prefeitura. O prefeito José Lineu Gomes afirma que a cidade foi praticamente destruída. Ele estima que 80% da cidade foi totalmente destruída e que o restante foi atingido parcialmente. O capitão Sérgio Gonçalves, da PM de Guarapuava, que comandou as primeiras ações de socorro, estima que 90% das edificações foram atingidos.
Ainda ontem era possível constatar visualmente que permaneceram intactas poucas das cerca de seiscentas construções, entre moradias e estabelecimentos comerciais. Edificações não destruídas tiveram telhados, portas e janelas arrebentadas. Nova Laranjeiras, município de economia agrícola e que distribui território às margens da BR-277, tem 17 mil habitantes.
Pequena parcela dos habitantes (2,5 mil pessoas) reside na cidade, o que é explicado pela existência de grande número de minifúndios na zona rural - que foi pouco atingida. Havia chovido muito durante a semana, e estradas de acesso ao interior estavam comprometidas. A arrecadação da Prefeitura é de apenas R$ 150 mil, por isso o Município pouco pode fazer, isoladamente, para a reconstrução da cidade.
Não está descartada a possibilidade de que o número de mortos seja superior aos confirmados. Claudionor da Silva, 15 anos, Celso Nunes, 40, e Martina Mussolini, 65 anos, morreram soterrados em desabamentos. O prefeito José Lineu informou ontem que foi encontrado o corpo de uma quarta vítima, ainda não identificada. Há pessoas ainda dadas como desaparecidas e outras, feridas, foram levadas para cidades próximas, como Laranjeiras do Sul e Guarapuava.
No Hospital Santa Tereza, em Guarapuava, três pessoas permaneciam internadas ontem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI): Lucinéia Cruz Santos, 18 anos, Terezinha Lima, 30, e Antonio Damazini, 47 anos. Josiel Lima, 14 anos, também permanecia internado. Nova Laranjeiras e cidades vizinhas continuavam ontem sem energia elétrica, telefone e abastecimento de água. (colaborou Edna Mendes, de Guarapuava)


