O Paraná registra em média nove desvios de carga a cada mês, um número considerado ‘‘aceitável’’ pelo superintendente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar), Sérgio Malucelli. Ele explica que as cargas mais visadas são de remédios, aparelhos eletrônicos, pneus e cigarros, por causa do valor. No ano passado, o prejuízo contabilizado pelo sindicato superou R$ 3 milhões.
Segundo Malucelli, que é coronel da reserva da Polícia Militar e por essa condição acaba exercendo a função de assessor de segurança do sindicato, a principal preocupação dos órgãos de segurança e dos transportadores é tentar evitar ‘‘a migração das quadrilhas do Rio de Janeiro e São Paulo’’. Segundo ele, ‘‘em todos os assaltos na fronteira com São Paulo a quadrilha não é do Paraná, onde os bandidos estão mais interessados em cargas de cigarros’’.
Para ele, uma medida prática que deve ser tomada é dotar as empresas de segurança e a própria polícia de sistemas de prevenção que possibilitem reação mais rápida em casos de roubo de cargas. ‘‘Como as grandes empresas estão investindo cerca de 5% de sua receita em gerenciamento de risco, o que falta é uma estrutura para agir rápido quando se constata desvio de alguma carga, com uma viatura a cada 100 km nas rodovias, no mínimo’’, disse Malucelli. Ele considera que as concessionárias de rodovias deveriam assumir essa responsabilidade, ‘‘mas não se sabe nem se elas vão cumprir os contratos, por causa da redução do pedágio’’.
O superintendente do Setcepar não dispõe do número total de caminhões equipados com sistemas de rastreamento por satélite e rádio no Estado, mas ressalta que a utilização destes equipamentos tem se tornado um quesito obrigatório para as seguradoras aceitarem fazer contratos com as transportadoras.
Em Curitiba, uma das maiores transportadoras, a Etsul, tem adotado o sistema de rastreamento dos caminhões há mais de cinco anos. Cada equipamento custa cerca de R$ 7 mil na instalação mais uma manutenção estimada em R$ 500,00. O valor é considerado adequado, em razão do aumento da segurança, segundo avalia o funcionário de projetos e tecnologia Silvio Ioshi. ‘‘Mas um sistema de rastreamento não significa segurança total, é preciso muito mais uma rede de relacionamentos com a polícia e outras transportadoras, porque o Brasil é muito grande e precisamos do apoio que estiver mais próximo numa situação de emergência’’, disse ele.

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