Especial para a Folha
O Ministério da Saúde está repassando ao Paraná R$ 676 milhões para custear o atendimento médico à população neste ano. Apesar do valor ser superior aos R$ 505 milhões destinados ao Estado em 98, há dois anos os estados do Sul e sudeste vêem suas fatias no bolo das verbas da saúde diminuírem em relação a outros estados. É o caso de estados do Norte, como o Acre e Amapá que, entre 97 e 99, tiveram aumento superior a 85% nos recursos por habitante repassados pela União para financiar ações de saúde. Já São Paulo e Paraná tiveram incremento menor do que 12%.
A concessão de um aumento menor para os estados do Sul e sudeste faz parte de uma estratégia que vem sendo implementada pelo governo federal desde 97 para acabar com distorções históricas na distribuição de verbas. Hoje a diferença emtre o estado que recebe o maior valor per capita (São Paulo) e o menor (Roraima) é de 39%. Em 97, chegou a 169%.
Assim, mesmo tendo recebido um aumento menor, os estados do Sul e sudeste continuam sendo os maiores beneficiados na distribuição dos recursos da União para a saúde. O Paraná está entre os estados que mais recebem, dispondo, este ano, de R$ 73,04 por habitante.
‘‘Claro que gostaríamos que houvesse mais recursos, mas as verbas têm aumentado e, apesar da crise, não houve cortes, o que também é bom’’, diz Márcia Huçulak, diretora de Sistemas de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde. Estes recursos, segundo ela, são suficientes para atender áreas pré-determinadas, mas ainda há problemas para atender áreas especializadas, com consultas, terapias, radiologia clínica entre outros.
O médico auditor do Ministério da Saúde, Mário Lobato, também representante do Ministério no Conselho Estadual de Saúde, critica a ‘‘pequena’’ fatia do orçamento federal destinada à Saúde. Em 99, segundo ele, o orçamento nacional do Ministério ficou em R$ 19,5 bilhões, menor do que os R$ 19,8 bilhões em 98. Ele reconhece que R$ 676 milhões é uma quantia razoável se comparada com outros estados, mas ainda há uma série de deficiências que deveriam ser solucionadas pelo Estado. ‘‘No Paraná temos falta de oferta de serviços especializados e não há como suprir esta carência se não houver aumento neste valor’’, diz.
Para ilustrar esta carência de serviços, Lobato lembra o que aconteceu em Londrina recentemente. Havia uma fila enorme de espera para cirurgias de otorrinolaringologia. O Conselho Estadual de Saúde decidiu, então, fazer um mutirão com a Santa Casa, e realizou as operações. ‘‘Se tivesse verbas, as pessoas não precisariam ficar esperando por estas iniciativas.’’

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