Técnicos das 22 regionais de Saúde do Estado receberam ontem, no primeiro dia da Reunião de Atualização em Leishmaniose, um alerta de especialistas sobre a possibilidade de uma epidemia da doença nos próximos dois anos no Paraná. O aumento no número de casos vem chamando a atenção dos profissionais da saúde. A leishmaniose é endêmica no Estado há 30 anos, principalmente nas regiões Norte, Noroeste e Sudoeste, sendo que os registros da doença oscilam com períodos de maior incidência, como as epidemias de 1987 e de 1995.
Para se ter uma idéia da evolução dos números, no ano passado, em Cianorte, foram registrados 44 casos de leishmaniose, contra 96 confirmados até agosto deste ano. Em Maringá, são 56 casos confirmados desde o início do ano, número que já ultrapassa os 54 registros de 1999. Em todo o Estado, a média anual é de 800 casos da doença e no Brasil cerca de 40 mil.
O assessor do Ministério da Saúde, Jackson Maurício Costa, especialista em leishmaniose e professor da Universidade Federal do Maranhão, lembra que o Paraná é o único Estado endêmico do Sul. No País, a expansão demográfica nos últimos anos nas regiões Centro-Oeste e Norte vem contribuindo para o aumento da doença.
‘‘Também houve uma melhoria no sistema de notificação trazendo a tona diversos casos’’, acrescenta Costa. Para o especialista, os municípios são responsáveis diretos pelo controle e tratamento da doença e por isso devem manter uma estrutura e se preparar para a leishmaniose.
O médico Airton Pereira Lima ressalta que no Paraná o número de pessoas contaminadas durante atividades de lazer está aumentando. Pescadores e moradores de regiões ribeirinhas estão mais sujeitos à leishmaniose, transmitida pelo inseto flebotomíneo, conhecido também como cangalhinha e birigui. Condições climáticas como temperaturas elevadas e aumento da umidade, aliadas ao desmatamento de reservas, estão levando o inseto para as comunidades.
O flebotomíneo está envolvido no ciclo biológico dos protozoários do gênero Leishmania, presente em animais silvestres e domésticos. Estudos detectaram o protozoário em cães e há possibilidade da presença também em cavalos. Quando o inseto pica a pessoa provoca uma lesão na pele. Geralmente as pessoas se automedicam com pomadas e deixam de procurar ajuda médica.
O tratamento da leishmaniose é feito somente com medicação injetável, cerca de 70 ampolas de glucantime. O diagnóstico precoce evita o aumento da lesão e reduz o sofrimento do paciente, além de significar uma das únicas formas eficazes de se proteger contra a doença. O combate ao inseto é considerado ineficaz porque o uso de biocidas agridem ecossistemas.
A reunião com médicos e técnicos do setor de epidemiologia das regionais de Saúde termina hoje, no Hotel Cidade Verde. O objetivo é padronizar o atendimento no Estado com informações atuais sobre o diagnóstico e tratamento da doença.

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