PR perdeu 64% das florestas em 7 anos
Guilherme Pupo
O Paraná perdeu 64,43% de suas florestas nativas nos últimos sete anos e conta com apenas 2,6% de cobertura original. Os dados, extra-oficiais, foram divulgados ontem por organizações não-governamentais do Paraná.
Segundo o ambientalista João Bello, da Associação Xama, funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já confirmaram que há cerca de 3% de cobertura vegetal remanescente, mas a informação não foi divulgada oficialmente. O Inpe já estaria tabulando os dados e deve divulgar ainda este semestre um estudo sobre a cobertura florestal do Paraná.
O último levantamento oficial, feito em 1990, mostrou que ainda restavam 7,59% da vegetação nativa. As informações foram extraídas de um atlas feito pelo Inpe e pela Fundação SOS. Mata Atlântica com base em imagens de satélite, levantamentos de campo, verificações com sobrevôos e outras fontes.
Antes da colonização do Paraná, 84,72% do território eram cobertos por florestas (o equivalente a 21 milhões de campos de futebol de mata nativa) e o restante por campos e cerrados. Hoje, restariam cerca de 660 mil campos de futebol de florestas. As áreas mais afetadas nos últimos anos seriam as Quedas do Iguaçu, Ponta Grossa, Guarapuava e Telêmaco Borba.
Se tivéssemos que reflorestar as matas ciliares em todos os rios que foram desmatados, não haveria sementes e mudas suficientes - seriam necessárias entre três e quatro bilhões de árvores, afirma Eleutério Langowski, da Diretoria de Desenvolvimento Florestal do IAP.
Segundo ele, cerca de 90% dos desmatamentos foram feitos para fins agrícolas, e o restante para a exploração de madeira. Os proprietários das terras nem sempre cumprem à risca as condições de conservação da mata, observa.
Atualmente, há apenas 80 funcionários do IAP responsáveis pela fiscalização em todo o Paraná, apoiados pela Polícia Florestal, Delegacia do Meio Ambiente e organizaçõs não-governamentais.
Entre os principais problemas ocasionados pelo desmatamento estão as erosões, falta de água (com o rebaixamento dos lencóis freáticos), desertificação e eliminação da biodiversidade. Na região Noroeste, a maioria dos rios já está descaracterizada pela retirada excessiva da mata e o mau uso do solo, disse Langowski. Segundo ele, nas regiões Oeste e Norte o problema é o mesmo, mas ocorre em escala menor em função da qualidade da terra.





