Da Sucursal

Albari RosaPerigoCaixas da vacina tríplice sendo desembarcadas no Cemepar: medicamento foi proibido pelo Ministério da Saúde por provocar febres altas, convulsões e desmaiosDois dias depois de receber 150 mil doses de uma vacina tríplice bacteriana fabricada por um laboratório da Índia, o Paraná teve que suspender sua distribuição e aplicação por determinação do Ministério da Saúde. A vacina TDP, contra coqueluche, difteria e tétano, fabricada pelo laboratório Serun - Institute of Índia LTD - foi suspensa por ter provocado febre alta, convulsões e desmaios em crianças em vários estados.
Dois lotes de número 39624A e 39624B analisados pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INQCS) apresentaram problemas. Por precaução, o ministério determinou a suspensão definitiva desses lotes, e o recolhimento temporário dos restantes até que novos exames sejam feitos.
O Paraná recebeu e distribuiu 61 mil doses dessa vacina no início de fevereiro. ‘‘Nenhum caso de complicações graves foi registrado até agora’’, diz a diretora do Centro de Epidemiologia (Cepi) da Secretaria da Saúde, Maria Angélica Cerveira. A maior parte dessa vacina já foi aplicada, mas em alguns municípios podem haver algumas doses. ‘‘Por precaução, enviamos comunicado às regionais de saúde para que recolham essa vacina caso ainda encontrem em algum município’’, afirma a diretora do Cepi.
Alguns casos de febre e vermelhidão no local da aplicação foram relatados nas regiões de Guarapuava, Francisco Beltrão e Ponta Grossa, mas segundo Maria Angélica, nenhum deles foi grave. ‘‘As reações que aconteceram foram normais’’, explica a epidemiologista. Os efeitos colaterais aparecem em no máximo doze horas depois da aplicação da vacina. ‘‘Quem já tomou e não teve reação nenhuma pode ficar tranquilo’’, diz ela.
Em Curitiba, a vacina indiana chegou a ser distribuída para cinco unidades de saúde, mas foi recolhida em seguida. A tríplice que está disponível na cidade é fabricada no Instituto Pasteur, da França, e não tem contra-indicações. Outras 150 mil doses que o Paraná recebeu ontem serão devolvidas ao Ministério da Saúde. Em janeiro, outras 80 mil doses de uma vacina de origem suíça que também provocava efeitos colaterais.
Por enquanto, não há risco de que falte vacina tríplice nos postos de saúde do Paraná. Em 20 de fevereiro, foram distribuídas 120 mil doses fabricados no Instituto Butantã, dos quais não há nenhum tipo de suspeita. Outras 30 mil doses estão no estoque do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), o que garantiria o atendimento da demanda até o final de março. A Secretaria da Saúde ainda está consultando o ministério para saber se as pessoas que tomaram a vacina de fabricação indiana terão que ser novamente vacinadas.

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