PR não recebe kits de exames de Aids
Giovani Ferreira
De Curitiba
O kit utilizado para exames em portadores do vírus HIV está em falta nos municípios do interior do Paraná. Essa é a segunda vez que isso ocorre em menos de seis meses. Os casos de emergência estão sendo encaminhados para Curitiba, onde os exames são feitos no Laboratório Central do Estado (Lacen), que ainda possui testes disponíveis. O problema está ocorrendo com um dos importadores, que venceu a licitação mas não está conseguindo entregar o material na quantidade necessária para atender a demanda.
O Paraná tem um consumo médio de 28,8 mil testes a cada 60 dias. São 14,4 mil da marca Murex e a outra metade do fabricante Abbout. A distribuidora Lablife, responsável pelo Murex, fez a entrega do material conforme o previsto no contrato. Já a Ultralab, importadora do Abbout, não está conseguindo fazer a entrega de acordo com o planejado. Nas últimas três semanas a Ultralab repassou apenas dois lotes em quantidade insuficiente para atender a demanda. Pelas regras do contrato, cada importador teria que entregar os seus 14 testes em duas ou no máximo três vezes.
A diretora do Lacen, Ana Luiza Konter Borges, disse que vem fazendo cobranças constantes para a entrega dos testes. Segundo Ana Luiza, o distribuidor responsável pela entrega alega que vem enfrentando dificuldades de importação do material. Apesar de as regras terem sido pré-definidas por ocasião da licitação, a Ultralab não está cumprindo o contrato de fornecimento, prejudicando assim milhares de pessoas, entre elas jovens, crianças e até mulheres grávidas que precisam realizar o exame de HIV.
O distribuidor do Murex já entregou a quantidade contratada, colocando à disposição do Lacen os 14 mil testes de sua responsabilidade. Porém, como o Ministério da Saúde exige que o paciente seja submetido a dois tipos de testes, o processo dos exames fica emperrado por causa da falta do Abbout. Para disponibilizar o kit completo o Lacen precisa garantir dos dois testes contratados via licitação.
Não existe previsão de quando a situação deve voltar ao normal. Tudo depende da entrega do material pela Ultralab. Ana Luiza explicou que a distribuidora vem prometendo a entrega dos testes sempre para a próxima semana. No entanto, essa promessa já dura três semanas, período em que a pequena quantidade repassada não está sendo suficiente para atender a demanda.
Em Curitiba a discussão já chegou na Câmara Municipal. Pessoas que precisam do exame estão denunciando o caso para alguns vereadores. O vereador Mário Celso Cunha enviou ofício às secretarias Estadual e Municipal de Saúde, solicitando informações sobre o problema e cobrando medidas de regularização do atendimento. Os exames são necessários para definir a quantidade de vírus no organismo da pessoa, sua capacidade de defesa e por consequência o tipo de medicamento que deve ser recomendado.





