No Dia Internacional do Doador de Sangue, comemorado ontem, o Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) lançou oficialmente em Curitiba o banco de sangue fenotipado. Criado há 90 dias, o banco atende aos pacientes portadores de doenças crônicas que necessitam de doações frequentes e estão mais sujeitos a reações colaterais. O sangue fenotipado garante a compatibilidade entre o sangue do doador e do paciente, evitando o risco de rejeição.
A chefe da Divisão de Produção de Componentes do Hemepar, Tânia Mara Madalozzo, disse que ainda é difícil estimar a quantidade total de pacientes que irão fazer uso do sangue fenotipado. ‘‘Imagino que serão necessárias aproximadamente 30 unidades por dia para suprir a demanda’’, disse.
‘‘Estes pacientes fazem parte de um grupo pequeno e muito específico. Por enquanto, o Hemepar não deve possuir mais do que cem destes pacientes registrados’’, acredita Tânia.
Portadores de doenças como talassemia, anemia falciforme ou doença renal crônica desenvolvem anticorpos irregulares que provocam efeitos adversos e reações à transfusão. Crianças com talassemia, por exemplo, precisam fazer três transfusões a cada 21 dias, o que com o uso de sangue comum acaba inevitavelmente provocando efeitos colaterais e rejeição.
‘‘Estes efeitos podem ir de uma simples alergia à morte’’, explica Tânia. Ela disse que não têm sido registrados problemas graves porque a maioria destes pacientes já formaram anticorpos e estão imunizados aos possíveis efeitos colaterais da incompatibilidade sanguínea. ‘‘Esta não é a situação ideal, já que por este motivo é muito mais difícil achar o sangue adequado a eles.’’
Ela explicou que a fenotipagem é feita através de um sistema de gelcentrifugação que identifica os antígenos do doador e garante a identidade das hemácias. Uma bolsa de sangue fenotipado chega a custar à Hemepar duas vezes mais do que a bolsa de sangue normal, que tem um preço médio de R$ 100,00 a unidade.
O sangue fenotipado será utilizado na transfusão dos pacientes que apresentarem resultado positivo na pesquisa de anticorpo irregular, um exame pré-transfusional obrigatório.

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