PR informatiza serviço de transplantes
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
Dez em cada 100 pacientes paranaenses à espera de um órgão para transplante não estão na condição de canditado receptor e não sabem disso. Até poucos meses, esse número chegava a 30%, de acordo com a coordenadora da Central Estadual Transplantes do Paraná (CTE-PR), Ivana Kaminski. O motivo por que tantas pessoas são riscadas da lista de espera é a falta de algum dado no cadastro de receptor.
Para amenizar esse problema, a Secretaria da Sáude e a CET inauguraram ontem segundo dia da Semana Nacional de Doação de Órgãos uma página na Internet que dá aos pacientes acesso a todos os cadastros. Dessa forma, a atualização de um dado será feita de uma forma rápida, explicou Ivana.
Os receptores saberão se realmente constam na lista, mas não terão acesso à sua posição. Isso porque a ordem de inscrição não depende apenas do tempo de espera. A central também leva em consideração a gravidade do caso e a compatibilidade do órgão com o candidato. Os cadastros poderão ser acessados por pacientes e médicos através do site www.saude.pr.gov.br.
O secretário da Saúde, Armando Raggio, afirmou que o serviço servirá para trazer mais transparência ao sistema de doação de órgãos. Ele acredita que isso poderá provocar um aumento do número de possíveis doadores no Estado. Segundo Raggio, existe uma grande dificuldade de captação, não somente no no Paraná, como em todo o Brasil. Dados da secretaria apontam que, em 1999, apenas 30% dos órgãos de doadores brasileiros em potencial foram aproveitados.
Raggio destacou, na inauguração do site, a posição do Paraná na lista dos estados brasileiros que mais realizam transplantes. O Estado está em segundo lugar, perdendo apenas para São Paulo. Se o volume de transplantes for proporcional à população, estamos em primeiro lugar, disse. Ele atribui a posição à CET, criada em 1995 pioneiramente no País.
No ano passado foram transplantados 627 órgãos no Paraná, de acordo com dados da Secretaria da Saúde. Este ano, o índice está em 347. Hoje existem quase 2 mil paranaenses na lista única de espera o que representa cerca de 8% dos 24 mil receptores do País, segundo informações do Ministério da Saúde. A córnea é o órgão mais procurado e também o mais transplantado. De janeiro até junho de 2000, foram feitos 233 transplantes. Ivana informou que o tempo médio de espera por doadores de córnea é de cerca de um ano e meio.
Apesar da grande quantidade de paranaenses esperando por doações, muitos órgãos não são compatíveis com os receptores disponíveis no Estado. Nesse caso, a doação é feita ao paciente que ocupar o topo da lista da Central Nacional de Transplantes, inaugurada em 1997.


