Todos os meses, a Polícia Federal (PF) fecha entre três e quatro empresas de segurança clandestinas que atuam no Paraná. A informação é do delegado regional do órgão em Curitiba, Luiz Melzer. Em todo o Estado, aproximadamente 300 empresas estão autorizadas a atuar.
‘‘À medida que tomamos conhecimento de empresas clandestinas, vamos fechando’’, afirmou Melzer. Segundo o delegado, as empresas interessadas em obter a autorização de funcionamento da PF têm que apresentar um cadastro de cada vigilante. Depois de contratados, esses profissionais precisam passar por cursos periódicos de reciclagem.
Reportagem publicada domingo na Folha mostrou o crescimento do negócio da segurança privada na fronteira entre Foz e Ciudad del Este (Paraguai). As duas cidades têm pelo menos dez empresas legalizadas - cinco em cada uma delas. Até 1990, Ciudad del Este não possuía nenhuma empresa desse ramo.
A contratação de um segurança privado custa, em média, US$ 500 mensais. As principais causas desse processo de ‘‘privatização’’ da segurança são o crescimento do crime organizado na fronteira e a ineficiência das polícias no combate à violência.
Segundo a Folha apurou, em Ciudad del Este há entre cinco e oito empresas atuando de forma clandestina. O chefe de Gabinete, Planejamento e Relações Públicas da Polícia Nacional em Ciudad del Este, Antonio Ibarra Colmán, afirmou desconhecer a existência de empresas clandestinas. Ele disse que, em caso de constatação dessa irregularidade, os responsáveis por essas firmas serão presos e responsabilizados pelo crime.
Até 1983, a fiscalização das empresas de segurança privadas no Brasil era de responsabilidade da Polícia Civil. A lei federal 7.102/83 passou essa atribuição à Polícia Federal. O delegado Vilson Alves de Toledo, da Subdivisão de Vigilância Privada da Secretaria Estadual de Segurança, informou, por telefone, que o órgão está convocando todas as empresas do ramo que atuam no Estado para que regularizem sua situação, independente de estarem cadastradas na PF.
Na opinião de Toledo, que assumiu o cargo há quatro meses, o crescimento da procura pela segurança privada é provocado principalmente pelas deficiências do Estado. ‘‘As pessoas são obrigadas a pagar escola, planos de saúde e, agora, segurança. Não é por má vontade ou incompetência, mas por falta de estrutura’’.

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