Dorico da SilvaEsperanças renovadasO professor Claúdio Prata, ontem após a cirurgia: ‘Agradeço o espírito humanitário da família’ Os dois primeiros transplantes de órgãos do Estado, depois que entrou em vigor, no início do ano, a nova lei federal que tornou todas as pessoas doadoras compulsórias, foram realizados em Londrina, ontem e anteontem, com sucesso pela equipe médica responsável. As córneas do pedreiro Aparecido de Oliveira Batista, 22 anos, que morreu em acidente de trânsito ocorrido na última quarta-feira, beneficiaram Tamar Lukaszewincz, 34 anos, e Cláudio Prata, 46 anos. Ambos sofrem de ceratocone (deformidade da córnea) e esperavam por uma doação desde 1981. As cirurgias foram realizadas no Hospital Evangélico.
Segundo o médico oftalmologista Osman Ferraz, chefe da equipe que fez o transplante, até amanhã o tampão que protege o olho dos dois pacientes deve ser retirado. Mas a recuperação total da visão, explica o médico, é gradual: somente depois de nove meses, aproximadamente, é que todos os pontos já terão sido retirados. A fase mais crítica da recuperação é a partir do terceiro mês, quando ocorre o risco da rejeição.
Ontem também foram realizados os transplantes dos dois rins de Aparecido Batista. Uma das operações ocorreu na Santa Casa de Londrina, a partir das 9h30 da manhã, pela equipe médica chefiada por Celso Fernandes. O beneficiado foi o aposentado Osmar Harholk Schimidtke, 51 anos, de Arapongas. Segundo informações da Central Regional Norte de Transplantes (CRNT), ligado à Secretaria Estadual de Saúde, Osmar estava na fila de espera para um novo rim desde 1991.
O outro órgão saiu de Londrina também ontem, por volta das 10h30 da manhã, com destino à região noroeste do Estado. O transplante seria realizado no começo da tarde no Hospital São Paulo, de Umuarama, e o beneficiado é o aposentado Milton Nascimento Dias, de 37 anos, que esperava um novo rim desde fevereiro de 1996.
Já as válvulas do coração que pertenciam a Aparecido Batista partiram para Curitiba. Na região norte, segundo a Central de Transplantes, não havia ninguém cadastrado para receber este tipo de órgão. Coração e fígado não puderam ser aproveitados.
Para quem conseguiu um novo orgão, sobram as esperanças de uma nova vida a partir de agora. É o caso do professor Cláudio Prata, 46 anos, dois filhos e dois netos e que recebeu uma córnea de Aparecido. Ele sofria de ceratocone desde os 13 anos de idade, mas a doença evoluiu muito nos últimos anos, quando ele passou a fazer parte da fila de espera da Central de Transplantes. ‘‘A doença o atrapalhava bastante no trabalho. Ele usava óculos sobre lentes de contato e tinha que recorrer à uma lupa para corrigir trabalho’’, conta.
Prata tinha somente 2,8% de visão no olho direito e 3% no esquerdo; com as lentes de contato, a visão era de 40% no direito e 45% no esquerdo. ‘‘Agradeço o espírito humanitário da família, que tomou uma atitude digna num momento tão difícil’’, aponta. E conclui: ‘‘Sou doador de órgãos e tecidos’’.

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