James Alberti
De Curitiba
Quatro transexuais do Paraná devem submeter-se a cirurgias para mudança de sexo na próxima sexta-feira e no sábado. São três homens e uma mulher, a primeira do Brasil a passar uma intervenção cirúrgica para trocar de sexo. As cirurgias, chamadas de ‘redesignação sexual’ para portadores de disforia de gênero, são também as primeiras realizadas no Estado. Outras intervenções já foram feitas em hospitais universitários de São Paulo e tiveram acompanhamento de profissionais paranaenses.
Segundo a sexóloga Regina Teixeira, diretora da Clínica de Sexologia da Universidade Tuiuti do Paraná, os quatro pacientes receberam acompanhamento psicológico durante os últimos dois anos, através do Comitê de Identidade Sexual da clínica da universidade. Os diagnósticos e laudos de indicação cirúrgica, que precedem a operação, são de responsabilidade de Regina. A sexóloga também responde pelo acompanhamento dos pacientes após as operações.
As cirurgias permitem, segundo Regina, a volta dos transexuais ao convívio social. Ela afirma que, de modo geral, os pacientes se isolam da sociedade devido ao desejo de mudar de sexo. Isso porque a identidade sexual dos transexuais é oposta ao sexo fisiológico. ‘‘Não é apenas desejo’’, diz. A avaliação de Regina leva em conta exatamente a identidade sexual dos pacientes. A lista de espera da Tuiuti tem outros 26 pacientes, de vários estados, aguardando a mesma oportunidade.
As cirurgias irão ocorrer em um hospital público de Curitiba e não custam nada para os transexuais. Em São Paulo, conforme Regina, médicos têm cobrado entre R$ 8 e R$ 15 mil por operações semelhantes, embora eles não tenham autorização do Conselho Federal de Medicina para cobrar ou fazer as intervenções. O conselho federal permite apenas operações em caráter experimental, feitas em hospitais universitários e com objetivos acadêmicos.

mockup