PR é um dos estados com maior violência no campo
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quinta-feira, 30 de julho de 1998
Israel Reinstein 
A impunidade e a pressão das entidades sociais por terra fizeram com que os conflitos no campo crescessem no Estado. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgados ontem no relatório anual da entidade, apontam o Paraná como um dos estados mais violentos em confrontos no campo, ficando atrás apenas de Pernambuco. No ano passado, as brigas e expulsões de famílias das terras afetaram mais de sete mil pessoas, com a morte de quatro.
De acordo com o vice-presidente nacional da CPT, Dom Ladislau Biernaski, ao contrário do que aconteceu no Paraná, a violência no campo teve uma pequena redução no Brasil, caindo de 750 incidentes, em 1996, para 736 em 1997. O que aconteceu foi uma estabilização, mas os números continuam altos no País, admitiu D. Ladislau. Em terras paranaenses, foram registrados 72 incidentes.
Os conflitos no Brasil, em 1996, aconteceram por causa de 463 ocupações promovidas pelos sem-terra, com a participação de 58.266 famílias. No Paraná, foram 53 ocupações, com a presença de 3.972 famílias. Em toda a região Sul, foram contabilizadas 70 ocupações.
O advogado da CPT, Darci Frigo, conta que os incidentes mais violentos aconteceram na fazenda Giacomet-Marodin. Foram registrados quatro assassinatos, além de três tentativas, conta. Em nenhum deles os responsáveis foram punidos. diz. Também foram contabilizadas 24 prisões de sem-terra.
Cresceu também o número de despejos judiciais, com a participação de policiais e jagunços, disse Frigo. Segundo o relatório, no Paraná foram ameaçadas de despejo 3.374 famílias, das quais 127 foram vítimas de expulsão. Dessas, 44 tiveram suas roças queimadas e 109 tiveram seus pertences destruídos, informou.
Frigo destaca que o mesmo panorama se repete este ano. Há um agravante: a migração dos brasiguaios em busca de oportunidades, disse. O advogado do CPT afirma que, até junho deste ano, foram presas 58 lideranças de movimentos populares. O caso mais grave aconteceu em Mariluz, em uma ação da despejo feita pela polícia, em que foram roubados R$ 90 mil dos brasiguaios, além das agressões físicas, disse.


