PR e SP têm mais câncer em glândula
Luciana Pombo
De Curitiba
A incidência acentuada de casos de câncer nas glândulas supra-renais entre crianças paulistas e paranaenses está sendo alvo de um estudo aprofundado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o hospital norte-americano St. Jude Childrens. Segundo o médico oncologista Raul Corrêa Ribeiro, os estudos iniciaram em 1989, mas somente agora serão feitos os exames por amostragem para identificar os motivos regionais que levam à uniformidade das ocorrências nestes dois estados.
De acordo com os dados internacionais, nos Estados Unidos ocorrem entre 15 a 20 casos desse tipo de doença durante todo o ano, o que representa 0,3 doentes para cada um milhão de crianças com menos de 16 anos. Já no Paraná e em São Paulo, a média é de três a quatro crianças em cada 1 milhão. Isto representa dez vezes mais do que nos Estados Unidos e temos que descobrir as causas, diz.
O primeiro passo já foi dado. Os pesquisadores descobriram que em mais de 90% das crianças com tumor supra-renal havia pré-disposição genética. Este gene já foi identificado e é o P53, no axon 10 (parte do gene que codifica as proteínas). A mutação é uniforme e sempre no mesmo lugar, o que sugere que um fator ambiental está determinando este número acentuado de casos, comenta Ribeiro.
O fator ambiental que estaria determinando essas alterações genéticas não foi identificado, mas os pesquisadores trabalham com a hipótese delas terem sido ocasionadas pelo uso constante de defensivos agrícolas. Não podemos afirmar isto ainda porque não temos qualquer prova, por isso, iremos fazer um estudo aprofundado dos locais onde vivem as crianças atingidas pela doença, diz.
Para estudar o fenômeno serão usadas 4 mil pessoas que servirão como base comparativa. A metade delas do nordeste e a outra metade do Paraná e São Paulo. Acho que os testes poderão ser feitos rapidamente, já estamos com tudo devidamente estruturado para isto, afirma Ribeiro.
Sintomas - O tumor supra-renal produz puberdade precoce por causa da secreção dos hormônios. A criança começa a engordar e aparecem rapidamente os pêlos pubianos. Tivemos casos de crianças com 1 ano e com os pêlos bem formados, diz ele. A doença atinge a faixa média de 4 anos e aparece principalmente nas meninas (quatro casos femininos para cada um masculino). Se diagnosticado precocemente, a cura ocorre em 90% dos casos. Já nos casos com metastasis (quando a doença se espalha por mais de um órgão primário), a cura é de menos de 5%. A cura está relacionada diretamente com o tempo que se demora para diagnosticar a doença, lembra Ribeiro.
A recomendação do médico é para que os pais fiquem atentos ao aparecimento de características sexuais precoces nos filhos durante a infância. Em qualquer alteração hormonal, os pais devem procurar imediatamente um pediatra.





