PR é o segundo em mortes no trânsito
Maigue Gueths
De Curitiba
O risco de se morrer em acidente de trânsito no Paraná é 70% maior do que no restante do País. Isto acontece porque o Paraná ocupa, hoje, o segundo lugar em número de desastres e na taxa de mortalidade nos acidentes de trânsito, perdendo apenas para Santa Catarina. A cada ano, são registrados 35 óbitos para cada 100 mil habitantes, um índice altíssimo se comparado com São Paulo, por exemplo, cujo índice é de pouco mais de 20 óbitos por 100 mil habitantes, apesar da frota de veículos ser bem superior a do Paraná.
Segundo David Duarte Lima, doutor em Segurança no Trânsito pela Universidade Livre de Bruxelas e presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Segurança no Trânsito (IST), é difícil estabelecer as causas que levam o Paraná e Santa Catarina a alcançarem índices tão altos de mortes nos acidentes de trânsito. Provavelmente existem problemas de segurança no sistema viário, deficiências na fiscalização e alguma particularidade no comportamento do motorista paranaense que levam a isto, diz. No ano passado, 3,1 mil pessoas morreram em acidentes no Estado. E o trânsito no Paraná causa, anualmente, em média 45 mil feridos. Destes, 7 mil ficam com lesões irreversíveis, muitas delas tetraplégicas.
Lima, que também preside o Fórum Permanente pela Paz no Trânsito, em Brasília, esteve em Curitiba participando do 1º Seminário Perkons de Segurança no Trânsito, onde falou sobre os custos dos acidentes de trânsito. No Paraná gasta-se anualmente R$ 1,8 bilhão com os acidentes, computando os gastos com hospital, oficinas, prejuízos com perda da produção. O Brasil, segundo ele, registra cerca de 40 mil mortes no trânsito por ano e 500 mil feridos. Destes, pelo menos 100 mil vítimas ficam com lesões irreversíveis. O gasto com os acidentes chega a R$ 20 bilhões ao ano. Um dos agravantes é que 62% das vítimas têm menos de 40 anos, ou seja, estão em plena idade produtiva.
Segundo o especialista em Segurança Viária e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a área de Segurança no Trânsito, Philip Anthony Gold, 90% dos acidentes são causados por falha humana. Outro dado mostra que a maioria das mortes acontece por atropelamento. Em 1997, das 7.530 mortes ocorridas nas estradas federais de todo o País, 2.009 foram por atropelamento. Estes acidentes acontecem principalmente durante a noite ou nos finais de semana, quando o movimento é menor, mas os veículos costumam trafegar em velocidade mais alta.
Indústria da multa Os dois especialistas não concordam com a afirmação de que o novo Código de Trânsito Brasileiro e os novos meios de fiscalização tenham produzido uma indústria de multas. Para Anthony Gold, a indústria existia antes do código e não agora. Antes as multas eram menores, mas multava-se sem se saber porque. Isto sim era uma indústria, diz. Para ele, a fiscalização correta começa com a educação. O segundo passo é informar o motorista quando este tiver cometido uma infração. Em Brasília, onde o governo adotou um severo controle de velocidade, o índice de mortalidade caiu 40%, segundo Lima.





