O secretário estadual de Segurança Pública, José Tavares, se reúne hoje em Brasília com o ministro da Justiça, José Gregori, para conhecer o perfil do investimento destinado ao Paraná pelo Plano Nacional de Segurança. ‘‘Tenho mantido contato diariamente com o ministro e ele me garantiu que o Estado receberá pelo menos R$ 15 milhões’’, informou Tavares ontem, durante uma visita a Arapongas (37 km a oeste de Londrina).
Segundo o secretário, 62 cadeias paranaenses estão em situação de risco e necessitam com urgência de melhorias. Em Arapongas, ele conheceu um exemplo extremo da gravidade da situação do sistema carcerário do Estado. A cadeia pública da cidade foi parcialmente destruída no início do mês após um rápido motim, liderado por detentos já condenados que aguardavam vaga no sistema penitenciário.
Durante a rebelião, os 62 presos foram comprimidos no solário até serem transferidos para outros distritos de 11 cidades do Estado. Para controlar a rebelião foram usadas bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Apenas um preso se feriu, sem gravidade. A cadeia está interditada pela Justiça. Nos últimos 10 dias, todos os presos em flagrante são levados para delegacias da região, que muitas vezes, conforme informou uma fonte da polícia, também não têm como aceitar a transferência por falta de vaga.
Andando por entre grades caídas e grande quantidade de entulho, ele ficou impressionado com o que viu dentro da cadeia. ‘‘Está em um estado absolutamente imprestável’’, classificou Tavares. ‘‘Trabalhei como delegado aqui 29 anos atrás e já achava a estrutura insuficiente. Imaginem hoje em dia’’, observou.
Tavares prometeu que uma cadeia nova será construída em um terreno comprado pela prefeitura ao lado da companhia da Polícia Militar, no Jardim Aeroporto, mas não quis dar um prazo para o início das obras.
A doação simbólica da área, de um hectare, foi feita em cerimônia que reuniu o prefeito José Bisca (PFL), o delegado-geral da Polícia Civil, Leonil Ribeiro, e o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, Sanderson Diotalevi. Na mesma solenidade, foram entregues à PM duas motos com equipamentos de rádio transmissor, resultado de uma campanha do Conselho Comunitário de Segurança junto ao empresariado local.
O presidente do conselho, José Polisele, entregou uma extensa lista de reivindicações, que vão desde o aumento de efetivo de policiais militares e civis até a criação de uma companhia independente para a PM. O mesmo documento havia sido entregue no ano passado ao ex-secretário da pasta, Cândido Martins de Oliveira, sem resultados práticos.
Tavares concordou que a cidade deve ser melhor atendida, ‘‘já que é uma grande arrecadadora de impostos’’ (está em 10º lugar em arrecadação de ICMS no Estado e entre as 100 primeiras do País, conforme ranking publicado pela revista IstoÉ desta semana). ‘‘Poderemos ampliar a patrulha com bicicletas, por exemplo, que já existe e dá bons resultados.’’
Polisele disse que o esforço comunitário vem evitando que a situação se agrave, mantendo a ‘‘paz social’’.

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