PR deve rever barreira contra aftosa
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sábado, 26 de agosto de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O diretor-geral da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, disse ontem que o Paraná pode voltar a receber carne de Santa Catarina. A possibilidade será discutida amanhã em Curitiba. A entrada do produto está proibida desde a descoberta de um surto de febre aftosa no município de Jóia, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Desde a confirmação da doença, o Estado montou 12 barreiras ao longo da divisa com Santa Catarina para impedir a entrada de qualquer carregamento.
A portaria divulgada na sexta-feira pelo Ministério da Saúde precipitou a organização do encontro. Ela flexibiliza o transporte. A portaria autoriza a passagem de carne bovina sem osso e carne suína com inspeção federal e transportada em veículos frigoríficos lacrados na origem. Como a política paranaense era de barrar tudo, a nova determinação do Ministério da Agricultura precisou ser levada em conta.
Norberto Ortigara classificou o caso como um pequeno conflito de legislação entre nós e o governo federal. Um dos exemplos que serão estudados amanhã é o dos carregamentos que já chegaram no Porto de Paranaguá em câmaras frigoríficas lacradas. Ortigara informou que as 12 barreiras montadas entre as costas leste e oeste do Paraná não registraram ocorrências de apreensões de veículos na manhã de ontem. As polícias rodoviárias federal e estadual também tiveram um plantão calmo na operação de monitoramento da aftosa.
Não há prazo para as barreiras serem retiradas. O diretor disse que o trabalho de fiscalização só vai ser suspenso assim que o Ministério da Agricultura confirmar a eliminação do risco de contaminação.
O aparecimento da doença em rebanhos bovinos do município de Jóia provocou troca de acusações entre os governos envolvidos no cerco à aftosa. Não é justo que paguemos pelos outros Estados, declarou o governador catarinense Esperidião Amin. O Estado investiu cerca de R$ 20 milhões para obter o certificado de área livre de aftosa. O documento foi cassado provisoriamente esta semana pela Organização Internacional de Epizootias (OIE). Já o governo do Rio Grande do Sul acusou o governo federal de relaxar no trabalho de fiscalização na fronteira com a Argentina, de onde os gaúchos acreditam que a aftosa veio. O Paraná mantém seu certificado conquistado em maio.


