Com pouca vontade de ir embora, as cinco crianças ucranianas vítimas da radiação da usina de Chernobyl se despediram ontem de suas famílias adotivas em Curitiba. Depois de estar dois meses em tratamento no Hospital Evangélico, os jovens retornam ao seu país, deixando saudade. Ontem, eles embarcaram rumo ao México, para depois se encontrar com outras 100 crianças, que foram tratadas em Cuba - dentro do mesmo convênio de ajuda as vítimas do vazamento da usina, ocorrido em 1986. Entre o fim de maio e início de junho, um novo grupo de cinco crianças deve retornar a Curitiba.
A relação das crianças (Oleana Nachorna, 11 anos, Ilariya Bilova, 9 anos, Anton Veritch, 12 anos, Hanna Tsenniova, 12 anos, e Hanna Vasselichina, 11 anos) com a comunidade ucraniana no Paraná foi muito forte. A ponto de Hanna Tseniova e Anton Veritch não quererem ir mais embora. Anton ameaçou se esconder no banheiro para não deixar os pais adotivos. ‘‘Esse país é muito bom e generoso, por isso gostaria de poder trazer minha avô para viver aqui’’, sintetiza Hanna Tseniova.
Sensível, a jovem conta que gostou do carinho das pessoas e uma fácil amizade que formou. Durante a sua estadia, Hanna continuou estudando música (ela toca piano) e idiomas (a jovem fala seis idiomas, como o inglês). Além disso, conheceu um pouco da cultura local. ‘‘Ela foi uma pessoa agradável, que nos estimulou e reforçou o nosso sentido de vida’’, comentou a mãe adotiva, Vera Lúcia Kulicz Senchechen.
‘‘A afetividade das crianças também nos surprendeu’’, conta Helena Scrobot. Ela, que cuidou de Hanna Vasselichina, conta que a menina escreveu umalinda carta de despedida para a família. ‘‘No texto, ela dizia que a nossa família era como uma flor, que está se regando até se florir’’, diz. Helena conta que a menina deixou diversos bilhetes na casa se despedindo de todos. ‘‘Durante os meus 35 anos de casamento, nunca vi o meu marido soltar uma lágrima, mas agora ele não resistiu’’, informa.
O presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira, José Welgacz Junior, diz que a intenção é receber cinco casos a cada dois meses, num período inicial de dois anos. Atualmente, Cuba, Grécia e Espanha têm convênio com a Ucrânia. O Brasil aderiu ao programa na metade de janeiro. Segundo ele, o apoio do Brasil é importante porque a Ucrânia não consegue atender todas as vítimas.
As crianças já vêm da Ucrânia com prontuário médico, sendo tratadas gratuitamente. Porém, as custas da viagem ficam ao encargo da comunidade. ‘‘Quem quiser ajudar pode depositar dinheiro na conta 03800-08, na agência 0123 do HSBC Bamerindus’’, diz José Welgacz.Mauro FrassonEmoçãoOleana, Ilariya, Hanna T,, Anton e Hanna V. se despediram ontem, deixando saudadesIsrael Reinstein

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