Cerca de 15 pacientes que dependem de medicamentos excepcionais e de alto custo saíram com boas expectativas de reunião na manhã de ontem com o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin. De passagem pela cidade, o secretário permaneceu mais de uma hora na 17 Regional de Saúde, onde falou sobre a criação de um protocolo paralelo de medicamentos excepcionais que vem sendo criado a partir de uma parceria com a Associação Médica do Paraná (AMP). O novo protocolo deve ajudar os pacientes que dependem de remédios não incluídos na lista oficial do Sistema Único de Saúde (SUS), há sete anos sem atualização.
Segundo Martin, até o final de janeiro devem sair os pareceres de câmaras técnicas da AMP, que estão analisando todos os casos de pedidos de remédios que estão fora do protocolo e que foram alvos de ações judiciais em 2007. As ações foram movidas contra o Estado por pacientes que recebiam os medicamentos excepcionais e tiveram o fornecimento interrompido. Os medicamentos serão analisados por 54 sociedades científicas que compõem a AMP.
''Adotamos um critério claro em relação ao fornecimento dos medicamentos excepcionais. O Estado não pode negar nenhum medicamento que signifique o tratamento do paciente, mas não deve fornecer nenhum que não vá tratar de fato o paciente'', argumentou Martin, lembrando que os laboratórios farmacêuticos têm um grande interesse no fornecimento. ''Os recursos públicos não são infinitos e não podem ser gastos aleatoriamente. Não podemos autorizar a compra de remédios que não tenham eficácia comprovada cientificamente'', completou.
Martin informou ainda que este ano a Secretaria recebeu pedidos para fornecimento de 450 itens excepcionais. Destes, aproximadamente 150 não constam no protocolo do SUS. ''O objetivo deste sistema que estamos criando em parceria com a Associação Médica é atender os pacientes a partir do critério da análise científica'', reforçou.
A idéia é que no mês de fevereiro a Secretaria de Saúde já possa criar um banco de dados com todos os medicamentos possíveis para o tratamento de cada doença. ''Nosso desejo é que este protocolo paralelo seja um mecanismo para forçar o Ministério a atualizar o protocolo do SUS'', informou o secretário.
De acordo com Martin na 17 Regional de Saúde existem atualmente três situações diferentes entre os pacientes que dependem dos medicamentos excepcionais. ''Há o caso de cinco pacientes que já foram atendidos e estão recebendo os remédios; há um segundo grupo que vem sendo avaliado pela AMP, e que portanto estão com a situação parcialmente resolvida; e o terceiro grupo, composto por aqueles casos que serão avaliados até janeiro.''
''A solução ainda não contempla todos os casos, mas já estamos tendo respostas. A estrutura federal é muito distante de nós, e este sistema que está sendo criado no Paraná deve se tornar referência para outros Estados'', avaliou Alberto Luiz Cândido Wust, portador da Doença de Fabri, e que há duas semanas voltou a se tratar com o medicamento Fabrazaime, que não consta no protocolo oficial.

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