A dengue não é uma doença inofensiva. O alerta é do secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin. "Existe uma imagem quase simpática do mosquito da dengue, mas ele é um grande problema de saúde pública", diz. Segundo Martin, que visitou ontem a redação da FOLHA em Curitiba, o registro de novos casos da doença aumenta o risco de uma epidemia de dengue hemorrágica, forma mais letal da doença que afeta pessoas contaminadas pela segunda vez pelo vírus.
A preocupação com a dengue hemorrágica existe, apesar do número de casos de dengue clássica ter sido reduzido em 96,94% em relação a 2007. O Paraná teve, em 2008, um total de 919 casos da doença, dos quais 752 foram autóctones, ou seja, a infecção aconteceu dentro do Estado. No mesmo período do ano passado (do início do ano até o dia 12 de dezembro), foram 24.581 casos confirmados.
"A dengue não tem vacina, não tem tratamento. A única forma de combater a doença é atacar o mosquito", explica. Segundo o secretário, a dengue hemorrágica tem um alto índice de mortalidade no Brasil. "Aqui há três mortes para cada cinco casos diagnosticados. A média aceitável, segundo a Organização Mundial de Saúde, é de uma morte a cada cinco", informa.
O paciente corre o risco de desenvolver dengue hemorrágica quando já foi contaminado por um tipo de vírus e depois volta a se contaminar com outro tipo. "A evolução da doença é muito rápida. E o tratamento é mais sofisticado que o da dengue clássica", diz. Segundo Martin, o Paraná já tem um plano de contigência desenhado para a eventualidade de uma epidemia do gênero acontecer no estado.
"O Paraná mudou a forma de trabalhar a prevenção da dengue. Estamos tentando mostrar que não é uma doença benigna, não é uma gripe", defende. "O Brasil já apresenta infecções provocadas por três tipos de vírus, o quarto pode aparecer por aqui a qualquer momento via Venezuela", alerta.
Entre as maiores dificuldades enfrentadas no combate a doença, o secretário destaca que há uma resistência da população em assumir a própria responsabilidade. "As pessoas precisam incorporar na rotina o hábito de verificar possíveis focos da doença", propõe.
Martin explica que os possíveis focos da doença em geral não são resultado da falta de limpeza. "O mosquito tem preferência pela água limpa. Uma caixa da água, por exemplo, que não esteja perfeitamente vedada é o ambiente ideal porque tem água limpa e é fresco", alerta.
Entre as cidades com maior incidência da dengue clássica está Tapira, Cidade Gaúcha e Jaguapitã, as três com mais de 300 casos para cada cem mil habitantes. Na próxima sexta-feira, dia 12, a Secretaria de Saúde deverá promover, em parceria com prefeituras de todo o estado, o Dia Estadual de Combate a Dengue. "A idéia é reintensificar o trabalho das equipes de combate a doença em todo o estado", diz.

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