Eles compõem a linha de frente de combate aos criminosos que apavoraram a capital do Rio de Janeiro no final do ano passado com uma série de ações terroristas. Para os 15 policiais militares do Paraná - dois são de Londrina - que integram a Força Nacional de Segurança convocada para atuar no Estado, a rotina é de trabalho duro no dia de serviço de 12 horas ininterruptas. Tempo para fazer turismo quase nunca sobra. Os poucos momentos de descanso servem para pensar na família.
O 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina cedeu para a Força os soldados Samir Pereira, 37 anos, e Claudir Jandrey Marques, 36. Segundo a assessoria da PM, os dois têm nove anos de serviços prestados e há cerca de dois participaram de curso e treinamento em Brasília para integrar a tropa de elite, criada para atuar em situações de crise em todo o território nacional.
A primeira missão foi justamente atuar no Rio de Janeiro, onde no final do ano passado bandidos provocaram o caos na cidade atirando contra prédios públicos e policiais, queimando ônibus e atacando carros nas principais vias de tráfego. Além de patrulharem os principais acessos da cidade, como as linhas Amarela e Vermelha, os policiais da Força Nacional também estão fazendo bloqueios em diversos pontos das rodovias fluminenses nas divisas com Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.
Desde meados de janeiro, os dois soldados de Londrina atuam no patrulhamento da divisa do Rio com Minas Gerais e estão baseados na cidade fluminense de Miracema. Na próxima sexta-feira, eles devem ser substituídos e voltam para a capital. Lá, por enquanto, os policiais ficarão na Academia Militar cumprindo rotina de instruções e treinamentos. Ainda não sabem se serão utilizados no patrulhamento de vias e morros cariocas.
''É uma rotina bem desgastante'', comentou o soldado Marques por telefone. Em entrevista exclusiva à FOLHA, ele revelou que além de atuarem em estradas da divisa entre Minas e Rio os policiais também atendem outras ocorrências. No último domingo, ele teve de intervir em um tiroteio que aconteceu durante uma partida de futebol na região. ''Vieram pedir ajuda para nosso pessoal e tivemos que atender. Não dá para fugir das ocorrências'', citou o soldado. Ele considerou que a atuação fora do Paraná será importante para sua carreira porque proporciona a troca de experiências.
De acordo com Marques, as populações das cidades por onde passam costumam receber muito bem as tropas da Força Nacional. Em municípios pequenos, como Miracema, que conta com cerca de 30 mil habitantes, os soldados são uma grande novidade. ''Acho que é porque mudamos muito a rotina deles e da cidade'', cogitou o soldado. A única chateação é a distância da família. A de Marques está dividida entre Santa Catarina e Mato Grosso mas, ainda assim, o coração fica apertado. ''Quando a gente está de folga, muitos comentam dos filhos pequenos que deixaram em casa, das esposas. Todos reclamam de saudades da família'', confessou.

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