PR adia obrigatoriedade de tacógrafos
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terça-feira, 26 de janeiro de 1999
Osmani Costa 
A Polícia Rodoviária (PR) do Paraná adiou para 1º de março a obrigatoriedade do uso do tacógrafo, aparelho eletrônico que registra as velocidades desenvolvidas pelos veículos e outros detalhes de cada viagem. De acordo com o novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), todos os caminhões - de modelos anteriores a 1991 e com capacidade acima de 19 mil kg - devem trafegar utilizando o aparelho.
O adiamento foi anunciado ontem pelo comandante interino da PR na região de Londrina, tenente Sidinei Fernandes Garcia. Esta pequena trégua está sendo necessária porque os donos de caminhões simplesmente não estão encontrando o aparelho no mercado. A situação é parecida com a dos kits de produtos médicos. O novo Código obriga a utilização, mas como o produto está em falta no mercado, vamos dar mais um tempo para os motoristas conseguirem adquiri-los, comentou Garcia.
O novo CTB prevê que todos os ônibus, utilitários usados no transporte de estudantes e caminhões devem contar com tacógrafos, obrigatoriamente, desde o dia 1º de janeiro. Normalmente, todos os ônibus e caminhões com grande capacidade de carga já saem das fábricas com o aparelho instalado desde 91. A partir deste ano, passaram a vir com o tacógrafo também os caminhões com capacidade para cargas superiores a 4.536 quilos.
Segundo o tenente Garcia, ainda é grande o número de caminhões trafegando sem o tacógrofo nas estradas do Paraná. Os caminhoneiros estão tendo dificuldades em encontrar o aparelho. Muitos reclamam também que o preço está alto. Então, estamos na fase de orientação para a obrigatoriedade. Só passaremos a multar e reter o veículo para regularização a partir de março, explicou o comandante.
O tacógrafo é ligado ao velocímetro do veículo e considerado importante pelas autoridades do trânsito porque serve como verdadeiro diário de bordo, contendo marcações sobre as velocidades desenvolvidas, horário e tempos das paradas. As anotações, que ficam em discos de papel em local lacrado, são usadas pela perícia em caso de acidentes.
Nas lojas da cidade o aparelho está em falta e só chega de São Paulo em uma semana, com o pedido sendo pago à vista. Os preços, dependendo do modelo - mais antigo ou recente -, variam entre R$ 450,00 e R$ 1.600,00. O motorista Ângelo Edílson de Souza, que tem um caminhão ano 82, ainda não instalou o tacógrafo. Está muito caro, não tenho condições de comprar. O nosso mercado está em crise e os fretes, quando aparecem, não rendem quase nada. Minha esperança é que mudem esta lei e acabem com esta obrigatoriedade do aparelho. Até porque, os que vejo instalados nos caminhões quase sempre estão adulterados e não servem para nada, denunciou o caminhoneiro.


