PR-445 tem cotidiano de tragédias
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sexta-feira, 04 de março de 2011
Wilhan Santin <br> Reportagem Local 
Depois de rodar mais de 900 quilômetros desde Goiânia (GO) para rever parentes em Arapongas (Norte), Jean Cláudio Pila, 38 anos, e Flávia Capelari Piva, 33, além da filha deles, Maria Fernanda Capelari Pila, 5, tiveram a viagem interrompida na noite de quinta-feira quando já estavam perto do destino, no km 90 da PR-445, entre Cambé e o distrito londrinense da Warta.
Um caminhão com placas de São Paulo colidiu com o Honda Civic da família. Os três morreram no local, antes da chegada do socorro. O carro ficou totalmente destruído. A cena chocou até policiais rodoviários acostumados a atender casos semelhantes. ''Em mais de 20 anos nunca vi coisa assim'', lamentava um deles.
O caminhoneiro, um homem de 43 anos que teve ferimentos leves, relatou que um dos seus pneus dianteiros teria estourado, deixando o caminhão descontrolado. A Polícia Científica investiga a causa do acidente.
A tragédia que vitimou a família Pila não é exceção na 445. Com apenas 152 quilômetros de extensão, indo do entroncamento com a BR-376, em Mauá da Serra, até o município de Primeiro de Maio, a rodovia foi cenário de 476 acidentes em 2010, deixando 346 feridos e 18 mortos, de acordo com a Polícia Rodoviária Estadual. Em 2011, 76 acidentes já foram registrados, com 56 feridos e quatro mortos.
Mesmo cortando as regiões urbanas de Londrina e Cambé e ligando o Norte do Paraná à Rodovia do Café (BR-376), que leva a Curitiba e ao Porto de Paranaguá, a PR-445 sofre do mesmo problema das outras rodovias sob a responsabilidade da 2 Companhia de Polícia Rodoviária: não tem duplicação. Dos 2,5 mil quilômetros de estradas estaduais na área dessa companhia, os trechos duplicados não passam de algumas dezenas.
As pistas simples somadas ao desrespeito de motoristas às leis de trânsito resultam em estatísticas trágicas. Na PR-218, que liga Fartura a Querência do Norte (Noroeste), com 470 km de extensão, 22 pessoas morreram em 2010. No trecho do Norte do Paraná da PR-090, a Rodovia do Cerne, foram 19 mortos no ano passado; citando apenas as estradas que mais mataram.
Os três mortos da família Pila na PR-445 foram sepultados na tarde de ontem, em Arapongas.


