José, Gabriel, Daniel, Sidivaldo, Wevereson, Benedito, Elisana... Esses nomes são de algumas pessoas que se tornaram números nas estatísticas da Polícia Rodoviária Estadual (PRE). Todos morreram neste ano na rodovia que leva o nome do pioneiro londrinense Celso Garcia Cid, a PR-445. Com apenas 100 quilômetros de extensão, essa estrada passa pelas áreas urbanas de Londrina e Cambé e liga a região a outras importantes rodovias, como a BR-376, que leva a Ponta Grossa e Curitiba.
No entanto, proporcional à importância econômica da PR-445 é a quantidade de mortes que nela acontecem. Em 2008, de acordo com números da PRE, 25 pessoas perderam a vida enquanto trafegavam na Celso Garcia Cid. Só na última semana, foram quatro vítimas fatais. Não é por acaso que cruzes se acumulam à beira da rodovia. A reportagem da FOLHA encontrou sete delas ao longo da PR. Em cada uma, traços de saudade de famílias que perderam prematuramente um ente querido.
A média da PR-445 é de uma pessoa morta a cada quatro quilômetros de asfalto em 2008. Nos 3,1 mil quilômetros que estão sob a responsabilidade da 2 Companhia de Polícia Rodoviária, a média é de uma morte a cada 12 quilômetros.
A estrada, que é mantida pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), está bem sinalizada, com o asfalto em bom estado de conservação e tem acostamento na maior parte de sua extensão. Mas falta a duplicação e sobram curvas perigosas. O que também se vê em excesso são motoristas com o pé atolado no acelerador e flagrantes de imprudência com ultrapassagens em faixa contínua. Os resultados dos abusos aparecem, além das cruzes e das estatísticas, nas marcas de frenagens no asfalto e nas peças de veículos acidentados que ficam esquecidas nos acostamentos.
A PR-445 começa no entroncamento com a BR-376, em Mauá da Serra, e termina no trevo com a PR-323, no distrito da Warta (Norte). Em dois trechos, acontecem a maioria dos acidentes fatais: na região dos distritos de Londrina, Guaravera e Irerê, e nas áreas urbanas de Londrina e Cambé. No primeiro trecho, a quantidade de fatalidades é tamanha que em menos de um quilômetro estão três cruzes, recordando mortes ocorridas em 1988, 2001 e 2003.
Para o aposentado Sebastião de Freitas, morador de Irerê, só há uma solução. ''A verdade é que só a duplicação resolveria o problema. Dinheiro, sabemos que tem, pois cada vez se arrecada mais impostos. Nós temos o direito de que nossas vidas sejam preservadas, mas esse direito nos é negado'', lamenta.
Já no trecho urbano, o que a reportagem encontrou foi a dor de quem perdeu um amigo para a brutalidade da rodovia. Em maio, o garçom Luciano Zupelli morreu depois de a moto em que ele estava ser atingida na traseira por um microônibus. ''Acontecem muitos acidentes por aqui, mas felizmente nem todos têm vítimas fatais. Para quem perde um amigo, como é o meu caso, fica uma saudade demais da conta'', diz o garçom Adriano Messias dos Santos.

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