PR-445, a rodovia das cruzes
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Wilhan Santin<br>Equipe da Folha 
Londrina - José, Gabriel, Daniel, Sidivaldo, Wevereson, Benedito, Elisana... Esses nomes são de algumas pessoas que se tornaram números nas estatísticas da Polícia Rodoviária Estadual (PRE). Todos morreram neste ano na rodovia que leva o nome do pioneiro londrinense Celso Garcia Cid, a PR-445. Com apenas 100 quilômetros de extensão, essa estrada passa pelas áreas urbanas de Londrina e Cambé e liga a região a importantes rodovias como a BR-376, que leva a Ponta Grossa e Curitiba.
No entanto, proporcional à importância econômica da PR-445 é a quantidade de mortes que nela acontecem. Em 2008, de acordo com números da PRE, 25 pessoas morreram enquanto trafegavam na Celso Garcia Cid. Só na última semana, foram quatro vítimas fatais. Não é por acaso que cruzes se acumulam à beira da rodovia. A reportagem da FOLHA encontrou sete delas ao longo da PR. Em cada uma, traços de saudade de famílias que perderam prematuramente uma pessoa querida.
A média da PR-445 é de uma pessoa morta a cada quatro quilômetros de asfalto em 2008. Nos 3,1 mil quilômetros que estão sob a responsabilidade da 2ª Companhia de Polícia Rodoviária, a média é de uma morte a cada 12 quilômetros.
A estrada, que é mantida pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), está bem sinalizada, com o asfalto em bom estado de conservação e tem acostamento na maior parte de sua extensão. Mas falta a duplicação e sobram curvas perigosas. O que também se vê em excesso são motoristas com o pé atolado no acelerador e flagrantes de imprudência com ultrapassagens em faixa contínua. Os resultados dos abusos aparecem, além das cruzes, nas marcas de frenagens no asfalto e nas peças de veículos acidentados que ficam nos acostamentos.
A PR-445 começa no entroncamento com a BR-376, em Mauá da Serra, e termina no trevo com a PR-323, no distrito da Warta. Em dois trechos, acontecem a maioria dos acidentes fatais: na região dos distritos de Londrina, Guaravera e Irerê, e nas áreas urbanas de Londrina e Cambé. No primeiro trecho, a quantidade de fatalidades é tamanha que em menos de um quilômetro estão três cruzes, as quais recordam mortes ocorridas em 1988, 2001 e 2003.
Para o aposentado Sebastião de Freitas, morador de Irerê, só há uma solução para a estrada. "A verdade é que só a duplicação resolveria o problema das mortes. Dinheiro, sabemos que tem, pois cada vez se arrecada mais impostos. Nós temos o direito de que nossas vidas sejam preservadas, mas esse direito nos é negado", lamenta. Já no trecho urbano, o que a reportagem encontrou foi a dor de quem perdeu um amigo para a brutalidade da rodovia. Em maio, o garçom Luciano Zupelli morreu depois de a moto em que ele estava ser atingida na traseira por um microônibus. "Acontecem muitos acidentes por aqui, mas felizmente nem todos têm vítimas fatais", diz o garçom Adriano Messias dos Santos, amigo de Zupelli.


