PR-443 pode 'libertar' municípios do pedágio
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
Widson Schwartz<BR>Especial para a FOLHA 
Jataizinho - ''O leito está bem compactado, já não tem muito que fazer, só cortar uns morros'', diz Benedito Furlan referindo-se à PR-443, entre Jataizinho (Norte) e as divisas com Rancho Alegre e Uraí. A seu ver, o trecho (21,5 quilômetros) está quase pronto para receber asfalto, o que resultaria uma ''rodovia da liberdade'' em relação ao pedágio no entroncamento da BR-369 e PR-090. A tarifa, de R$ 10,50, é considerada cara para os usuários que viajam necessariamente todo dia entre municípios, num raio de 100 quilômetros.
''Seria uma maravilha irmos a Londrina sem pagar pedágio'', concorda a funcionária do posto telefônico em Água da Esperança, Solange Silva Matierno, acrescentando outra justificativa: o escoamento da produção agropecuária e os ônibus escolares de três municípios por ali circulando. ''Agora a estrada está boa, mas na época de safra o trânsito de caminhões é intenso e, se chove, fica complicado'', observa. ''Se no entremeio de Uraí e Serra Morena tem asfalto, por que é que aqui não pode ter?''
Peemedebista histórico, desde ''o velho MDB de guerra'', Benedito Furlan foi vice-prefeito de Jataizinho e acha oportuno sugerir ao governador Roberto Requião, companheiro de partido, a pavimentação até o entroncamento com a PR-442, em Uraí. A partir deste ponto, a PR-443 encontra-se asfaltada, passa por Rancho Alegre e atinge a PR-160 e a PR-323 próximo a Porto Charles Nauffal, divisa com o Estado de São Paulo.
Trata-se de um interesse maior de Jataizinho, Rancho Alegre e Uraí, mas atende a outros municípios também, segundo Furlan, que solicitou a interferência de deputados para incluir a reivindicação no Orçamento do Estado, o que implica na necessidade de um projeto. A assessoria de imprensa do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) em Curitiba informou que ainda não existe dotação orçamentária.
''Não morro sem ver essa estrada asfaltada'', tem repetido Furlan, uma das vezes ao acompanhar Requião. Um integrante da comitiva respondeu: ''Então, não vamos pavimentá-la, porque queremos você vivo''.
Saindo do perímetro urbano, a PR-443 acompanha a linha do trem por dez quilômetros até Frei Timóteo, onde a estação já foi demolida e restam três ou quatro casas. Os trilhos fazem uma curva para a direita, no rumo de Uraí; a rodovia prossegue acompanhando o rio, indo atingir Água da Esperança, oito quilômetros adiante. Até o entroncamento, mais a 2,5 quilômetros.
''Aqui já teve muito gente, tudo era café. Depois começaram a plantar rami, soja, trigo e milho. Agora, o café está voltando'', resume Solange Silva Matierno, responsável pelo posto telefônico no ''patrimônio'', que pertence a Rancho Alegre. Outrora armazéns e bares, as construções de madeira estão fechadas. ''Aqui é Rancho Alegre, aí na estrada é Jataizinho e no outro lado, naquele carreador, começa Uraí. Temos transporte escolar de três municípios'', conta Solange, filha de sitiante em Jataizinho. O marido trabalha em propriedades ao redor da vila. Apesar do esvaziamento populacional, a igreja católica está muito bem cuidada, com a praça em frente, e a comunidade faz duas festas por ano.


