Com um tráfego que pode passar dos 20 mil veículos por dia em alguns trechos, a PR 323 (Noroeste do Estado) é comparada pelo Departamento de Estrada de Rodagem do Paraná (DER-PR) à uma artéria infartada, por não dar suportar tanto fluxo. A estrada vive tempos de aumento do movimento por ter se tornado a rota mais acessada por motoristas que fogem das seis praças de pedágio das BR 277 e BR 369, entre Foz e Maringá, e por causa do maior número de consumidores que passaram a visitar Salto Del Guairá, no Paraguai. A única saída é a duplicação.
A FOLHA percorreu os mais de 200 quilômetros da rodovia, desde Maringá até Guaíra. Na área de fronteira, a estrada passa a ser federal e é chamada de BR 272. Acessamos a via pouco depois das 7 horas, em Maringá. É deste horário até por volta das 9 horas e entre o final da tarde e o começo da noite que o fluxo de veículos atinge seu pico na área urbana até Paiçandu, onde existe um trecho duplicado.
Motociclistas invadem acostamento e a pista contrária para se livrar do trânsito pesado de caminhões e de carros de passeio. Pedestres e ciclistas cruzam perigosamente as pistas. Morador de Paiçandu, o pintor José Nelson da Silva, 53, transita de bicicleta há 25 anos e foi taxativo: ''de uns anos para cá o trânsito piorou e o perigo aumentou para quem depende da bicicleta''.
Enquanto esperava o movimento cair para seguir viagem, o caminhoneiro Vanderlei Luiz, 41, contou que mora em Foz e sempre que tem carga para o Norte e Noroeste usa a PR 323 em vez das rodovias federais entre Foz, Maringá e Londrina. Razão: evitar seis praças de pedágio e economizar quase R$ 500 (ida e volta). Outros tantos motoristas fazem o mesmo. ''A PR 323 é muito perigosa. O asfalto é bom mas falta terceira pista em alguns pontos, a sinalização deixa a desejar e os carros pequenos abusam demais.''
Gargalos
As cruzes pelo caminho assinalam que a estrada foi palco de muitas tragédias. O traçado com grandes retas e curvas alongadas elevam a velocidade e os riscos. Comboios formados por até 15 caminhões e carros são comuns durante toda a viagem. Com pressa, muitos condutores aceleram além do permitido e fazem ultrapassagens em locais proibidos. O tráfego de treminhões ajuda a complicar.
As áreas urbanas de Cianorte e Umuarama representam outros gargalos de fluxo. A 32 anos na boleia de um caminhão, o motorista Celso Luiz Germano, 50, cruza a rodovia toda semana levando grãos do Centro-Oeste para o Norte do Paraná. ''O movimento de carros pequenos para o Paraguai aumentou e a estrada ficou muito perigosa'', observou ele, que quase já saiu fora da estrada por mais de uma vez para não se envolver em acidentes.
O intenso movimento de carros e caminhões na PR 323 só cai um pouco após o trevo de acesso à BR 486, que dá acesso à Assis Chateubriand, Toledo e Cascavel. Em contrapartida, as condições da pista pioram nos dois sentidos. O acostamento não existe e a pista carece de reparos em alguns pontos.
As condições só melhoram depois de Iporã, quando a rodovia estadual passa a ser federal (BR 272). O asfalto foi recapeado, o acostamento refeito e a sinalização melhorada. A questão é que, deste ponto, faltam só mais cerca de 60 quilômetros até Guaíra.
O presidente da Associação dos Engenheiros do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (AEDER-PR) e diretor regional do órgão em Maringá, Octávio José Silveira da Rocha, disse que a solução definitiva para a PR 323 é a duplicação até o trevo de acesso à BR 486, na região de Umuarama. ''A rodovia está com uma artéria infartada'', comparou.
A associação fez um estudo sobre a rodovia e finaliza um programa que será entregue ao próximo governador. Por enquanto, a expectativa é para a duplicação de um trecho de 3,6 km de Maringá até Paiçandu. O problema é o custo: entre R$ 17 milhões e R$ 20 milhões.

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