PR-092: território de beleza e de caos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de julho de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
As belas paisagens podem até desviar o olhar de quem transita pela
PR-092, que serpenteia por cerca de 340 km desde a Região Metropolitana de Curitiba até encontrar o Rio Paranapanema (divisa entre o Norte do Paraná e Oeste paulista), mas não são suficientes para encobrir os problemas que há décadas cruzam o caminho de quem passa pela rodovia. Se em alguns trechos a pista proporciona uma viagem tranqüila, em outros os buracos e até a falta completa de asfalto testam a paciência e a habilidade dos humanos e a resistência das máquinas.
A reportagem da FOLHA começou a viagem pela PR-092 em Andirá em direção à Capital até próximo a Doutor Ulysses, um percurso de pouco mais de 200 km. No início do trajeto, entre Barra do Jacaré e Santo Antônio da Platina, carros pequenos têm certa dificuldade porque os pesados treminhões carregados com cana delinearam trilhos no asfalto que prejudicam a estabilidade. O acostamento, inexistente em diversos trechos, é outro complicador.
De Santo Antônio da Platina até Wenceslau Braz, a impressão é de que a pista foi recuperada há pouco tempo. Há apenas um pequeno trecho em obras. Sobra tempo para apreciar o cenário verde e rural. Nos pontos mais altos, a visão das montanhas se perde no horizonte. A rodovia é ampla, bem sinalizada e placas do Governo do Estado indicam que o asfalto é 100% ecológico. O único senão é que o intenso tráfego de caminhões exige atenção redobrada do motorista e, nos perímetros urbanos, há que estar atento também com pedestres que cruzam a via em locais impróprios.
A partir de Wenceslau, a tranqüilidade dá lugar ao sacolejo provocado pelos buracos e pelas ondulações fabricadas pelos muitos remendos. A cor do asfalto revela que há muito tempo ele não é substituído. Até Arapoti, um pedaço de cerca de 35 km, a velocidade máxima não passa dos 80 km/h. O risco aumenta com o balé obrigatório feito por carros e caminhões para desviarem das panelas maiores.
Do início do ano até 1º de julho, o quadro do Posto da Polícia Rodoviária Militar de Arapoti informava a ocorrência de 104 acidentes, que provocaram quatro mortes e feriram 63 pessoas. Este asfalto judia muito da gente. Viajo de Uberlândia (MG) até Paranaguá todo mês e este trecho é o pior, atesta o caminhoneiro, Júnior Sérgio de Araújo. Dono de fazenda em Arapoti, o pecuarista Perci Raysel confirma: A qualidade da estrada por aqui é péssima.
Trabalhando na margem da estrada, o borracheiro, mecânico e o que mais tiver que fazer, José Roberto de Lima, não tem refresco nem com o próprio Santana. Não tem carro nem caminhão que agüente. Sempre tem que dar uma apertada porque senão a gente acaba perdendo algum parafuso na estrada.
Logo depois de Arapoti, o motorista finalmente encontra equipes trabalhando na recuperação da pista. Os trabalhos começaram há pouco mais de três meses, mas menos de 19 km serão refeitos até junho do ano que vem.
Mas é chegando em Jaguariaíva que o motorista que quer seguir pela PR-092 se surpreende. Sem qualquer cerimônia, o asfalto some e dá lugar à terra batida, pedras e buracos em dias de sol ou ao lamaçal e risco de quedas de barreiras em tempo chuvoso. Frágeis pontes de madeira permitem uma transposição arriscada dos cursos dágua.
A monotonia das infinitas plantações de pinus à margem parece fazer os quilômetros passarem lentamente. Imensos caminhões carregados com madeira multiplicam os perigos e entopem a visão com quilos de poeira. Pequenos oratórios indicando locais de acidentes com morte não deixam ninguém se esquecer dos riscos. Em meio ao caos em que a estrada se transforma, nem mesmo os belíssimos paredões de pedra e a simpatia dos moradores conseguem devolver a tranqüilidade.


