Luciana Pombo
De Curitiba
O autor do disparo que matou o diretor da Corretora de Seguros do Banestado, Miguel Siqueira Donha, de 51 anos, presidente do diretório municipal do PPS de Almirante Tamandaré, identificado como Edson Farias, de 19 anos e conhecido como Edson Vaz, revelou ontem que foi contratado apenas para dar um susto no empresário. A encomenda foi para desfigurar o rosto, atirar na perna e queimar o carro de Donha ou de outro integrante do partido, Valter Johnsson.
Edson Vaz teria escolhido ‘‘dar um susto’’ em Donha por se tratar de uma pessoa calma, com hábitos caseiros e que morava em local retirado e de difícil acesso. ‘‘Havia a possibilidade de que eu fizesse o mesmo trabalho para o Johnsson’’, declarou ele, que conversou com a imprensa antes da apresentação oficial ao Ministério Público.
Pelo serviço, ele receberia R$ 300,00 em dinheiro e um emprego na Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré. Quem era intermediário nas negociações era o guardião de uma escola municipal, Antonio Martins Vidal, de 47 anos, conhecido como ‘‘Tico’’. ‘‘Ele era amigo do Azemir (irmão do prefeito) e da delegada Delair Manfron (tia do prefeito)’’, afirmou. Vaz declarou que quem pediu o ‘‘susto’’ foi o patrão de Tico. ‘‘Tico ligou ao patrão enquanto eu sequestrava o casal’’, contou Vaz, afirmando não saber o nome do mandante.
Vidal foi preso pela Delegacia de Homicídios junto com a esposa, a comerciante Tereza da Silva, de 34 anos, acusados de encomendar um assalto. Com eles, foi encontrado o relógio da vítima. Durante o sequestro de Donha e da mulher, Iara Donha, os supostos assaltantes deram dois telefonemas. Um para a casa de Vidal e outro para o celular dele. Apesar do flagrante, o casal está livre. O outro assaltante foi identificado por Vaz como ‘‘Z钒. Ele disse que conhecia o Zé apenas de vista,também contratado por Vidal. ‘‘Só aceitei o trabalho porque estava desesperado’’, declarou, desempregado há 3 meses.
Edson Vaz resolveu se apresentar ao Ministério Público, após garantia de proteção policial. Pai de dois filhos, ele disse que teme pela integridade física da família que mora em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. ‘‘ Tenho medo da polícia’’, afirmou ele. A negociação com o PPS para a apresentação no Ministério Público durou cerca de dez dias. Vaz foi encaminhado sob escolta de policiais do serviço reservado da Polícia Militar (P2).Edson Farias, conhecido também por Edson Vaz, foi contratado para dar um ‘‘susto’’ em Miguel Donha, diretor do Banestado
Mauro FrassonCONTRATADOEdson Vaz (esq.) diz que funcionário da prefeitura o contratou, por isso Amadeu Geara suspeita de crime político

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