PPL deverá ser interditada para obras
Telma Elorza
De Londrina
O setor de carceragem da Prisão Provisória de Londrina (PPL) foi totalmente destruído pelos presos, que se rebelaram na sexta-feira à noite. Esta foi a avaliação do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, e da equipe de engenheiros do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), após uma vistoria à PPL ontem pela manhã, para levantamento dos estragos.
Segundo o delegado-chefe, hoje serão colocadas as portas nas 16 celas restantes, que foram destruídas, já que logo após o término da rebelião foram colocadas portas em 8 celas. A vistoria foi acompanhada pelo diretor do presídio, Eurico Humming. Os engenheiros percorreram todas as dependências depedradas pelos presos e o Pelotão de Choque da Polícia Militar foi chamado para garantir a segurança.
Segundo o engenheiro-chefe da regional do Decom em Londrina, José Roberto do Amaral, na parte da manhã a equipe só pode vistoriar parte da prisão, já que a segurança não havia sido planejada de forma antecipada. De manhã, nós só pudemos fazer uma avaliação visual na cozinha e em áreas mais externas. Na área de carceragem tivemos que esperar o Pelotão de Choque, já que não era possível fazer a vistoria com os presos nas celas, explicou.
Além de terem arrebentado portas das celas, eles quebraram tudo o que podiam quebrar. Armários, pias de aço inox, portas de madeira e cerca de 80% dos vidros , afirmou Amaral. Ele disse que as portas de ferro das celas foram quebradas a partir dos batentes, única explicação encontrada para que os presos tenham conseguido arrebentá-las. Quando elas estão fechadas, não tem jeito de tirá-las. Mas quando estão abertas, podem sair até mesmo para fazer a manutenção. Eu acredito que 10 ou 12 presos tenham quebrado uma ou duas a partir dos batentes e depois abriram as outras, analisou.
Conforme o engenheiro-chefe, o levantamento completo dos reparos necessários deve ficar pronto apenas hoje. Estamos com o computador quebrado há uma semana e, portanto, teremos que fazer isto em casa. O orçamento pode demorar um pouco mais já que temos que fazer levantamo de preços, explicou sem, porém, querer antecipar datas. O prazo para execução do serviços, além da colocação das portas, também não é certo. O problema é que provavelmente teremos que interditar parte da prisão, já que não é possível executar os trabalhos junto com os presos até por uma questão de segurança. E para interditar, vamos ter que esperar uma decisão da Justiça para os remanejamentos, apontou.
A PPL têm capacidade para abrigar 144 presos, porém, antes da rebelião, estava com 52 presos acima de sua capacidade. Segundo o delegado Wanderci Corral Fernandes, todas as transferências que dependiam da Polícia Civil foram feitas no sábado. A nossa parte já foi feita. Os presos que podiam ser remanejados já foram, sendo que seis foram para o 3º Distrito Policial (PP) e outros seis, para o 4º Distrito. Outros remanejamentos dependem da decisão da Vara de Execuções Penais, explicou.
O 4º DP, na zona sul da cidade, tem capacidade para abrigar 24 presos mas contava ontem com 58. No 3º Distrito, na zona oeste, a situação era um pouco pior: abrigava 74 presos quando a capacidade é de 32. Segundo o delegado que responde pelo 3º Distrito, Jurandir Gonçalves André, a transferência dos seis presos da PPL não alterou a rotina. O distrito já estava acima da sua capacidade e continua acima, resumiu. (Colaborou Paulo Ubiratan)





