Criado para aproximar a polícia da comunidade e atuar preventivamente contra o crime, o projeto Povo (Policiamento Ostensivo Volante) adentra o quarto ano de funcionamento em Londrina sob a sombra de dúvidas acerca de sua eficácia. Desde abril de 2004, quando o projeto foi implantado, a cidade viu o número de homicídios sofrer queda significativa, mas passou a experimentar uma sensação de insegurança sem precedentes.
Dos cinco bairros contemplados no projeto piloto, o Povo se expandiu para 15 localidades. Hoje, segundo informações do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), há cinco ''estações'' na Zona Norte, quatro na Zona Sul e duas em cada uma das regiões restantes (Leste, Oeste e Área Central).
A responsabilidade de cada equipe também aumentou, abrangendo uma área maior do que o bairro de referência. À época do lançamento, foi anunciado que haveria quatro policiais por bairro no projeto. O 5º BPM não revela quantos policiais estão atuando hoje, mas informa que são duas motocicletas e uma viatura para cada estação.
A reportagem da FOLHA visitou quatro bairros atendidos pelo Povo e em todos encontrou moradores assustados com a violência e pouco confiantes na eficácia do projeto. ''Não tem tranquilidade nenhuma por aqui. Não faz três meses que minha filha e meu neto foram assaltados quando encostaram o carro em frente à nossa casa. Deram coronhadas, quase arrancaram o dedo dela para roubar os anéis. Levaram também um Honda Civic, celulares e tudo que podiam'', relatou a costureira Tereza Fachineli, 65, residente no Jardim Guanabara (Zona Sul).
Ela afirmou jamais ter visto ou tido contato com um policial do Povo, a quem caberia, conforme os objetivos oficiais do projeto, ''atender de forma mais rápida, eficiente e eficaz as ocorrências policiais''. Na falta de um cartão com o número do celular do PM responsável pela área - cuja distribuição faz parte das ações - Tereza disse que o 190 foi acionado. ''A polícia demorou 1 hora para chegar. É uma desordem total'', criticou.
Moradora do Jardim Aeroporto (Zona Leste), a dona-de-casa Sônia Mara Cleim, 46, comentou que só vê policiamento no terminal que dá nome ao bairro. ''Nunca fui roubada com arma, mas tenho medo de sair à noite, aqui ou em qualquer lugar da cidade'', confidenciou.
''Faz tempo que a gente ouviu falar e ficou esperando (a chegada do projeto Povo). Mas aqui só vem polícia quando matam um, ou quando tem aqueles arrastões'', observou Antônio Ferreira, 49, dono de uma gráfica na Vila Casoni, próxima ao Centro, assaltado há algumas semanas. Balconista de uma petshop recém-assaltada na Avenida Inglaterra (Zona Sul), Jucelia dos Santos, 23, também disse conhecer o projeto Povo, mas só na teoria. ''Aqui eu nunca vi. Nessa avenida, principalmente no final do dia, todo mundo tem medo.''

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