O comerciante Atanázio Nunes de Andrade mostra o espaço reservado para guardar botijões de gás e detalha como foi construído o depósito, amparado em um projeto arquitetônico e analisado pelo Corpo de Bombeiros. Os cuidados do de Andrade não são os mesmos da maioria dos revendedores de gás, em Londrina, cidade onde apenas 25% das empresas cumprem as exigências da lei. Ele é dono de um mercado no Jardim Semíramis (zona norte) há oito anos.
Além da obrigatoriedade de ficar fora do estabelecimento, o depósito deve estar sobre um elevado de 50 centímetros de concreto com pelo menos uma lateral totalmente vazada. Caso o comerciante opte pela ``gaiola``, é importante estar distante, no mínimo, 1,5 metro da parede. ``Sou um dos poucos que seguem as determinações à risca. A segurança minha e de meus clientes vale mais que os R$ 300,00 que gastei``, disse Andrade.
A afirmação do comerciante pôde ser comprovada pela reportagem no próprio bairro. Num raio de duas quadras do mercado de Andrade, existem seis pontos de venda de gás e apenas ele mantém o depósito em condições 100% aprovadas. Além do alvará, emitido pela prefeitura, e da aprovação do Corpo de Bombeiros, o comerciante também guarda a planta da obra. ``Além de tudo isso, é preciso manter vários avisos de perigo e ainda respeitar o limite de estoque, que é de 30 botijões.``
Para o responsável pela equipe de vistoria do Corpo de Bombeiros de Londrina, tenente Fábio Azevedo, o exemplo de Andrade deveria ser seguido por outros empresários. ``Infelizmente, isso não ocorre. Das 127 revendas de gás que nós cadastramos este ano, apenas 34 foram aprovadas. O restante foi notificado e terá que apresentar mudanças no projeto``, comentou Azevedo, destacando que ainda não há um levantamento das empresas clandestinas. ``Temos até o final do ano para concluir as vistorias, mas já verificamos que 76 desistiram de revender gás desde 2000, ano em que havia 378 revendedoras na cidade``.
O tenente lembrou também que até mesmo os botijões utilizados em pequenos comércios (barracas de lanches, por exemplo) ou em simples residências deveriam ser mantidos fora do prédio. Isso evita o acúmulo de gás num possível vazamento impedindo explosões como a que ocorreu em junho deste ano num açougue do centro da cidade.
A explosão matou uma pessoa e deixou outra gravemente ferida. Os bombeiros retiraram do local seis botijões de gás. ``Dentro de duas semanas, nosso caminhões sairão do quartel para vistoriar estabelecimentos comerciais, verificar hidrantes e também fazer contato com a população. Queremos melhorar o relacionamento com a comunidade e garantir mais segurança nos bairros``, finalizou Azevedo.

mockup