Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Médicos e dentistas de onze postos de saúde municipais localizados em bairros de Foz do Iguaçu estão há dois dias atendendo apenas casos de emergência em protesto contra o atraso no pagamento de salários. Outros sete postos da área central, incluindo o maior da cidade, o do Pronto Atendimento Municipal (PAM), que fica na Avenida Paraná, estão funcionando normalmente.
‘‘Eles trabalham porque tem medo de perder alguns privilégios que não temos’’, justificou uma funcionária do Núcleo Integrado de Saúde Maria Portinho, no Jardim Morumbi III, que aderiu à paralisação.
Ontem, no final da tarde, diretores do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi) participaram de mais uma rodada de negociações com o prefeito Harry Daijó e seu secretariado.
Médicos, dentistas, enfermeiros e técnicos em enfermagem não fazem parte do grupo – que ganha até R$ 1 mil – que ontem recebeu os salários de agosto. Quem tem salários maiores que este teto só receberão no dia 27. ‘‘A greve não deve acabar enquanto eles não receberem’’, disse Luis Carlos de Oliveira, presidente do Sismufi. A prefeitura promete descontar os dias parados, o que vêm irritando a categoria.
Alheio ao impasse, o pedreiro Carlos Ferreira, 31 anos, enfrentou chuva para atualizar a carteira de vacinação do filho, Cleiton Camargo Ferreira, de 7 meses. Cleiton não recebeu as doses contra poliomielite e hepatite B porque só os enfermeiros – que não aparecem para trabalhar desde segunda-feira – do Núcleo de Saúde do Morumbi III poderiam ter acesso às vacinas.

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