É possível enganar todos, menos a morte, diz o ditado. No trânsito, o jeitinho brasileiro impera enquanto as contravenções correm soltas pelas ruas. Em Londrina, o dono de um posto de gasolina da Região Central cansou de flagrar motoristas utilizando o pátio do posto para fazer conversões proibidas e acessar um sinaleiro que cruza a Avenida Celso Garcia Cid, na altura da Avenida Jorge Casoni. Ele já tentou colocar cones para impedir a passagem dos carros, já reclamou com os agentes de trânsito, mas nunca obteve resposta.
''Dá uma revolta muito grande porque funcionários e até clientes quase foram atropelados pelos motoristas enquanto abasteciam os veículos'', disse Francisco do Prado Dias, que é dono do posto há 23 anos. Segundo ele, os frentistas já estão acostumados com o movimento e ficam atentos, alertando também os clientes.
''Ninguém nunca se machucou ou foi atropelado, mas cansamos de gritar e até segurar as pessoas para que desviem dos carros'', contou Dias, explicando que o trânsito aumentou depois que modificaram o sentido da Avenida Jorge Casoni há um ano. ''Para acessar o semáforo sem cometer infração eles passam pelo posto'', declarou o proprietário, assinalando que o movimento maior ocorre nos horários de pico, especialmente no fim da tarde. ''Se o carro passa devagar eu tolero, afinal o posto é público, mas somos os grandes prejudicados'', completou.
No posto que fica na esquina em diagonal ao estabelecimento de Dias, dois funcionários também quase foram atropelados, conforme o frentista Ezequias Vital Martins. Segundo ele, em dia de chuva é comum ver motociclistas caírem das motos ao tentar cortar caminho pelo posto. ''A gente tem que prestar atenção no movimento dos carros e no veículo que estamos abastecendo ao mesmo tempo'', declarou Martins, ressaltando que ocasionalmente aparece um agente de trânsito para fiscalizar o local, ''mas nunca pegam ninguém''.
Outro ponto crítico da cidade é a Avenida Maringá, onde três postos formam um triângulo entre as ruas Cristiano Machado e Foz do Iguaçu. Para Emílio Sérgio Santaella, dono do posto que fica na esquina da Maringá com a Cristiano Machado, não há como impedir que motoristas cortem caminho pelo posto. ''Estou aqui há 28 anos e eles sempre usaram o posto para desviar do semáforo. Eles cortam devagar então não dá prejuízo, nunca aconteceu nenhum acidente.''
No posto em frente, os carros que vêm pela Rua Foz do Iguaçu cruzam por dentro do pátio para chegar à Avenida Maringá. Conforme Luiz Gregório Carvalho Silva, que trabalha no caixa, alguns veículos passam em alta velocidade, mas os funcionários já estão acostumados.
Para Cláudio Mônaco, sócio-proprietário de um posto localizado na esquina entre as avenidas Duque de Caxias e Juscelino Kubitschek, falta educação no trânsito londrinense. Por dia, pelo menos cinco carros utilizam o posto para desviar de um sinaleiro que permite o acesso à Duque de Caixas.
''Deixamos carros estacionados no caminho para evitar, mas é preciso um trabalho de conscientização dos motoristas. Às vezes até paramos algumas pessoas para dizer que não cortem caminho'', sugeriu Mônaco, contando que quando há agentes de trânsito no local, os motoristas respeitam. ''Alguns entram no posto bem devagar, dando a impressão de que vão abastecer, mas não param'', comentou o empresário, reforçando que é difícil denunciar. ''Para denunciar precisamos dos dados do carro e acabamos fazendo papel de agentes de trânsito. Não compensa.''

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