Postos intensificam ação contra HPV
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de março de 2002
Célia Baroni<br>Reportagem Local 
Preconceito e falta de informação matam pelo menos 6.516 brasileiras por ano, uma média de 18 mulheres por dia. Este é o número de óbitos provocados pelo câncer de colo de útero, segundo estatísticas do Ministério da Saúde. No ano de 2000, em Londrina foram 15 mortes; mais de uma por mês.
Estes números são ainda mais cruéis diante do fato de que todas as vítimas fatais poderiam estar vivas se tivessem feito o exame preventivo disponível em todas as unidades básicas de saúde. O câncer de colo de útero é o único tipo de câncer 100% prevenível porque é causado por um agente externo conhecido e de fácil diagnóstico, o vírus HPV.
Transmitido sexualmente, o vírus só provoca o câncer depois de três a cinco anos da contaminação. Para chegar a correr risco de vida por causa deste tipo de câncer só se a mulher não procurar atendimento de rotina por mais de dois anos, afirma o médico ginecologista João Bento de Moura Neto.
Bento ressalta que a simples presença do HPV não significa necessariamente risco de câncer. Dos 70 tipos diferentes de HPV apenas 17 são comprovadamente oncogênicos (provocam câncer). Uma vez detectado o vírus é feito um segundo exame para saber se ele está entre os tipos perigosos e verificar o grau de avanço da lesão. Segundo o médico, o câncer causado pelo HPV é tratável e curável até quando já está instalado. Ainda segundo o ginecologista, a situação só se complica quando o câncer se torna invasivo. Nesta fase ele já pode ter atingido órgãos vizinhos ou apresentar metástase.


