''Aonde eu vou agora?'' Desde o primeiro dia deste ano a interrogação do estudante universitário James Marcos Garcia, 23 anos, está sendo compartilhada por centenas de boêmios que compravam bebida alcóolica em postos de combustíveis de Londrina. A venda após a meia-noite está proibida, atendendo a um acordo proposto pelo Ministério Público (MP) e assinado por todos os donos de postos da cidade.
James foi pego de surpresa. ''Não sabia. Sempre comprava uma cerveja em algum posto e levava para outro lugar, nem consumia lá'', comentou. Ele disse acreditar que a medida irá ajudar a reduzir a aglomeração nos postos de combustíveis, mas que as pessoas irão buscar bebida em outros locais.
Para a dona-de-casa Ofélia Miranda, 67 anos, a limitação poderia até ser maior. ''Acho que nenhum local deveria vender bebida alcóolica após as 23 horas. No caso dos postos, não deveriam vender nunca. É muita bagunça'', sentenciou. A proibição a partir da zero hora vale para os dias úteis. Nos fins de semana, a venda é permitida até 1 hora da madrugada.
O acordo resultou de uma reunião realizada há cerca de um mês entre a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, e os proprietários de postos de combustíveis londrinenses. Solange comentou por telefone que a restrição já está prevista em lei estadual. A medida faz parte das ações de combate à poluição sonora que vêm sendo realizadas pela promotoria e vai vigorar por um período de dois meses.
Francisco Vitório, dono de um posto na Avenida Tiradentes, disse que a restrição deverá ter efeito positivo em relação à diminuição de barulho, mas levará à perda de postos de trabalho. ''Provavelmente terei que demitir seguranças. Desde que contratamos quatro para o período da noite, há seis meses, já não tínhamos mais problemas'', afirmou.
No entendimento do empresário, a proibição recai somente sobre o comércio de bebidas alcóolicas geladas, excluindo vinhos e outros produtos das prateleiras da loja de conveniência. A promotora Solange, entretanto, assegurou que a restrição é total. Vitório observou que somente em torno de 10% dos postos da cidade deverão ser afetados pelo acordo, referindo-se àqueles que possuem loja 24 horas.

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