A agente comunitária Patrícia Aparecida Gomes, informa que nos Assentamentos Santa Fé e Monte Cristo, na zona leste de Londrina, existem cerca de 70 adolescentes grávidas. A média de idade das meninas é de 14 anos. De acordo com a agente, os postos de sa© úde fornecem preservativos para os que procuram. Segundo ela, a Pastoral da Criança coordena encontros regulares, toda quarta-feira, no Centro Comunitário da região. Para estimular a assiduidade, as meninas que comparecem recebem uma cesta básica por mês. Nos encontros, completa Patrícia, elas tiram as dúvidas e recebem instruções sobre o pré-natal e o modo de cuidar do bebê.

A enfermeira da Unidade Básica de Saúde do Jardim Marabá, Angela Maria Gruener Lima, afirma que há riscos para ministrar a pílula oral para as meninas antes dos dois primeiros anos da menstruação. Apesar disso, entre o risco da pílula e o da gravidez, ela diz que é melhor o segundo. De qualquer forma, ela acredita que as perdas para as adolescentes são ''grandes''. Segundo a enfermeira, o filho representa uma mudança na vida das meninas de classes mais baixas. ''Elas têm expectativas e não rejeitam a gravidez.''

Ainda de acordo com Angela, são distribuídas 10 camisinhas mensais por pessoa. Ela considera que o número é suficiente, já que a maioria dos adolescentes não tem uma frequência tão grande de relações sexuais. No posto do Marabá são doadas 500 por mês. As meninas, conta, procuram mais o posto do que os adolescentes. Vaginites, segundo a enfermeira, são os problemas mais comuns. A procura por tratamento ou informação costuma ser espontânea, mas a abordagem individual não funciona muito bem. ''Os adolescentes preferem oficinas coletivas quando o assunto é anatomia, fisiologia e sexualidade. Eles criam vínculos e voltam.''

Conforme Angela, depois de constatada a gravidez, as adolescentes da região começam o pré-natal, mas elas vêm com atraso, lá pelos cinco meses. ''Antes elas resolvem os problemas em casa.'' (M.B.)

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