A Secretaria Municipal de Saúde iniciou ontem a desintoxicação da Unidade de Saúde 24 horas Campo Comprido, em Curitiba, que no último sábado, foi contaminada por um rapaz, 17 anos, que teria tentado suicídio envolvendo o corpo com agrotóxicos. Seis pessoas que estavam na unidade de saúde foram intoxicadas - três delas funcionários. O secretário Luciano Ducci determinou ontem a interdição do posto, que ficará fechado no máximo até o fim de semana. O atendimento foi transferido para o Posto de Saúde Campina do Siqueira. O jovem está na UTI do Hospital Evangélico em estado grave.
Ducci informou que esse é o primeiro caso de auto-intoxicação em Curitiba. Desde o começo do ano, cinco pessoas tinham se contaminado com o manuseio de organofosforado, grifosato e cabarmato, três variedades de pesticida. ‘‘O rapaz encobriu o corpo com os agrotóxicos Ditane, Tamaron e Granatox, dois deles líquidos e um em pó’’, disse.
Esse produtos causaram no jovem paralisia respiratória e comprometimento renal’’, disse. Já os funcionários teriam sentido mal estar, queda de pressão e enjôos, e foram provisoriamente dispensados. Segundo a supervisora do distrito sanitário de Santa Felicidade, Rosicléia Sibut, ‘‘todos os funcionários estão passando bem’’. Para tratar os funcionários, a secretaria municipal teve que recorrer ao Centro de Informações Toxicológicas (CIT). Foi o CIT que indicou a forma de limpeza da unidade de saúde, que ontem estava sendo feita com cal, para tirar acidez.
Após beber, o rapaz teria se intoxicado em sua casa, que fica am Campo largo. Por isso, a secretaria municipal solicitou a Secretaria Estadual de Saúde que comunicasse a prefeitura de Campo Largo para esvaziar a casa dos familiares do jovem. Todos os parentes do rapaz passaram por exame médicos, nenhum apresenta intoxicação.
Dados do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) mostram que as causas acidentais representaram 18% das 663 intoxicações por agrptóxicos em 1997. Suicídios e doenças profissionais totalizaram 30% e 48%, respectivamente. A intoxicação acontece por ingestão, inalação ou absorção do produto pela pele. depois dos agrotóxicos - que representam 35% dos casos de intoxicações - o grupo de medicamentos é o segundo colocado. Eles totalizaram 26% dos 1857 casos registrados pelo CIT no período. As crianças são as maiores vítimas por causas acidentais.(colaborou Paulo Grein)

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