Posto do Parigot completa um ano fechado
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terça-feira, 06 de março de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Uma placa colocada pela prefeitura em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte de Londrina) não deixa dúvidas sobre o atraso das obras de reforma: ''início da obra: 01/11/2006; prazo para entrega: 60 dias''. O que o aviso não diz, mas os moradores do bairro sabem bem, é que o posto está fechado há um ano. A interdição fez aniversário ontem.
Falhas estruturais, infiltrações e rachaduras perigosas levaram o Município a cerrar as portas da UBS, após meses de reclamações dos usuários e entidades representativas. A revitalização foi recebida como boa notícia, mas mudou de feição depois que começou a demorar mais do que o esperado.
''Um ano não é normal, né? No começo disseram que iam derrubar o posto, mas como resolveram reformar esse prédio mesmo, acho que nem precisava ter fechado'', opinou a aposentada Maria Vereine, 53 anos, que se viu obrigada a utilizar a UBS do Conjunto Vivi Xavier, opção mais próxima.
A dona-de-casa Rosiley Silva dos Santos, 37 anos, disse que vem protelando a visita do filho pequeno ao médico devido à falta do posto no bairro. ''Desde que fechou, eu não levei o menino para uma consulta. E ele precisava, porque é fragilzinho e vive doente. Mas arrastar a criança debaixo desse sol, à pé, até o Vivi, é pior ainda'', comentou a moradora. ''Eu também tô precisando urgente de uma ginecologista, mas com o fechamento desse posto o outro encheu e ficou mais difícil conseguir consulta'', completou.
A UBS do Parigot de Souza atendia, em média, 300 pessoas por dia. As unidades do Vivi Xavier e do Conjunto Chefe Newton passaram a absorver a demanda. Em junho do ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde atribuiu a demora no início da obra a problemas com os valores estabelecidos, que eram de R$ 35 mil e passaram a R$ 60 mil depois de constatada a necessidade de uma reforma mais ampla.
O prazo de entrega inicial era de 120 dias a partir de março e, mais tarde, foi revisto para o dia 1º de janeiro deste ano. Ontem, a reportagem não encontrou ninguém trabalhando no local. ''Faz semanas que não vejo essa obra andando'', contou Rosiley. ''Ouvi dizer que deu um problema e tiveram que refazer algumas partes. São essas coisas que acontecem no Brasil'', ironizou o aposentado Lázaro Galdino, 67 anos, que disse acreditar que ''não adianta reclamar para ninguém''.
Adianta sim, sustenta o promotor de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares. Ele afirmou que não tinha conhecimento do problema no Parigot - embora tenha acompanhado o caso quando da interdição do posto - e que os moradores deveriam lhe procurar. ''Para mim, para todos os efeitos, esse caso estava resolvido. Por isso é importante o controle social, que a população denuncie'', declarou. Tavares ressaltou que um procedimento que trata do assunto continua aberto e pode ser retomado a qualquer momento, se o problema persistir.


