Posto do Detran é interditado
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Silvana Leão<br> De Londrina 
O posto de serviço do Departamento de Trânsito (Detran) em Santa Amélia (63 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio) foi interditado na última sexta-feira e o funcionário responsável, Jarbas Gomes dos Santos, afastado sob acusação de falsificação de documentos e falsidade ideológica.
As suspeitas de irregularidades surgiram quando o delegado da 39ª delegacia regional de Bandeirantes, Oswaldo Domingos Lotti, recebeu informação de um acidente em Gravataí (RS) e descobriu-se que os documentos eram falsos.
''Quando o proprietário do veículo - que constava nos documentos - foi chamado para prestar depoimento no Fórum, informou que o carro não era dele, explicando também que havia perdido os documentos anteriormente. Portanto, alguém havia usado documentação falsa para fazer a transferência'', explicou o delegado. Segundo Lotti, o objetivo da operação era fazer com que carros financiados passassem a figurar como veículos desalienados, facilitando a comercialização.
''Já havíamos sido informados que a 22ª Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Bandeirantes estava montando um processo com casos de exclusão de gravame através de documentos falsos'', completou o delegado. Na última quinta-feira foi expedido mandado de busca e apreensão pelo Fórum de Bandeirantes e os policiais encontraram no posto de serviço contas de luz adulteradas, utilizadas como comprovante de endereço para, provavelmente, justificar a transferência ilegal.
Na sexta-feira o Detran enviou dois auditores ao município que comprovaram as irregularidades, interditando o posto de serviço e afastando Jarbas dos Santos. O delegado informou que as investigações vão continuar, e se ficar comprovado que o funcionário recebia propina, também será indiciado por corrupção passiva. Santos é funcionário concursado da Prefeitura de Santa Amélia há 12 anos e há oito anos está afastado para prestar serviços ao Detran.
Ontem a prefeitura informou que Santos está em férias e só quando retornar a assessoria jurídica do município vai decidir o que fazer. Ao que tudo indica, além de falsificar a documentação, o funcionário emitia declaração de que os documentos estavam em ordem. A Folha ligou várias vezes na residência de Santos ontem mas o telefone não foi atendido.
Agora a polícia está investigando se há envolvimento de outras pessoas nas operações ilegais. ''Com certeza trata-se de uma quadrilha que está atuando em todo o País'', disse o delegado, lembrando que foram apreendidas cópias de cartas frias de liberação de veículos de localidades distantes, como Teresina (PI), São Paulo e São Miguel do Oeste (SC). Os veículos, porém, nunca estiveram em Santa Amélia.


